Estrutura óssea, metabolismo e fisiologia:
seu impacto na implantodontia

* Robert E. Marx - ** Arun K. Garg
Tradução do Artigo
Bone Structure, Metabolism and Physiology: Its Impact on Dental Implantology
- Robert E. Marx, Arun K. Garg. Implant Dentistry / Vol. 7, Nº 4 1998 - Pgs. 267-276
Tradução: Dra. Laysa Ramos Barreto***

         Quando instalamos implantes na mandíbula ou maxila é importante para os clínicos entenderem o processo de remodelação óssea os diferentes tipos de osso e como esses fatores podem afetar a integração dos implantes dentários. Aproximadamente 0.7% do esqueleto humano é reabsorvido diariamente sendo substituído por osso saudável recém-formado. Com a idade e o estado metabólico da doença o processo normal de renovação pode ser reduzido resultando em um crescimento da idade média do osso presente.

Esse aumento pode afetar a instalação e integração dos implantes. Segue anexo uma discussão sobre os diferentes tipos de células ósseas, o metabolismo do osso, a microscopia, a estrutura molecular do osso. e o processo de remodelação óssea. (Implant Dent 1995:7:267- 276)

Palavras-Chave:
         Osteoblastos, osteócitos, osteocompetentes, osso lamelar, osso trabeculado.

         Osso é um tecido vivo que exerce duas funções primárias - suporte estrutural e metabolismo do cálcio . 1- Tem uma matriz proteica de colágeno que está impregnado de sais minerais, incluindo fosfato de cálcio (85%), carbonato de cálcio ( 10% ) e pequenas quantidades de fluoreto de cálcio e fluoreto de magnésio. 2 As fibras do colágeno que formam a matriz óssea são extremamente complexas. Para manter a estrutura normal do osso deve haver quantidade suficiente tanto de proteínas quanto minerais. Os minerais encontrados no osso são formados primeiramente por hidroxiapatita. Massa óssea é um conceito importante para compreender porque o osso é uma massa estrutural eficiente em que a máxima resistência é alcançada com o mínimo de massa devido a sua arquitetura. Osso desnecessário é perdido (e.g.. atrofia e perda óssea é observado em pacientes paraplégicos) através de uma perda óssea em rede enquanto ocorre a remodelação óssea. O osso contém também pequenas quantidades de proteínas não colágenas embebidas na matriz mineral. Todas as proteínas morfogenéticas do osso mais importantes fazem parte desse grupo.

Celulas Ósseas
          Três diferentes tipos de células-osteoblastos; osteócitos, e osteoclastos - estão relacionados com o metabolismo e fisiologia do osso. Os três estão intimamente relacionados uns aos outros e são derivados dos mesmos precursores. (Fig. 1)

          Osteoblastos, que estão associados com o processo de osteogênese, estão localizados em duas áreas geralmente próximas a superfície do osso onde depositam a matriz óssea. Portanto, são frequentemente referidos como osteoblastos endoósseos ou periósteos. O citoplasma dos osteócitos são intensamente basofílicos, o que sugere a presença de proteínas ribonucleicas relacionadas a síntese dos componentes das proteínas da matriz óssea. Grânulos finos, que podem ser observados no citoplasma. estão intimamente relacionadas com o local do depósito ativo da matriz óssea.

          Quando osteoblastos ficam submersos na matriz óssea, eles se transformam em osteócitos. Osteócitos tem um citoplasma ligeiramente basofílico. As prolongações deste citoplasma se estendem a partir do osteócito, através de um sistema de rede de canalículos finos que emergem da lacuna, a uma distância específica. Durante a formação óssea esses prolongamentos se estendem além do seu limite normal e há uma continuidade com os osteócitos adjacentes. No osso maduro não há quase extensão dessas prolongações, mas os eanalículos CIJutinuam a funcionar como se fossem mensageiros de trocas metabólicas e bioquímicas entre o sistema sangUíneo e os osteócitos.

          O sistema de e canalículos conecta a lacuna dos osteócitos entre si e os espaços tissulares. O fluido tissular desses espaços se mistura com o fluido dos canalículos, permitindo uma troca metabólica e bioquímica entre a corrente sanguínea e os osteócitos. Esse mecanismo permite que os osteócitos permaneçam vivos, independente da substância intercelular calcificada que os circunda. Entretanto, este sistema de canais não é funcional se estiver localizado a mais de 0,5mm de um capilar, por isso ocorre esse fornecimento de sangue abundante no osso através dos canalículos que ocorrem através dos sistemas harvesianos e dos canais de Volkman.

         Osteoclastos são monócitos fusionados que histologicamente aparecem como células gigantes multinucleadas localizadas em escavações superficiais. 3. O citoplasma dos osteoclastos é ligeiramente basofílico e granular, com vacúolos característicos. Osteoclastos são responsáveis pela reabsorção e formação óssea em resposta aos hormônios da paratireóide. Depois que o processo de reabsorção óssea local está completo, os osteocIastos desaparecem, provavelmente por degeneração.

Metabolismo Ósseo
           Osso é a reserva primária de cálcio. Tem uma tremenda capacidade de renovação a fim de responder as necessidades metabólicas do corpo e é crucial para a manutenção de um nível de soro de cálcio estável. 1,2 Como o cálcio participa de várias reações, tem um suporte funcional de vida essencial. Trabalha em conjunto com os pulmões e rins para ajudar a manter o nível do pH do corpo através da produção de fosfatos e carbonatos adicionais, assim como na condução da carga elétrica em nervos e músculos, incluindo o músculo cardíaco. Além disso, o meio metabólico é um componente extremamente importante da estrutura biomecânica do osso. O osso passa por uma renovação constante em resposta as reações metabólicas, com o crânio e os maxilares inquestionavelmente afetados por essa renovação.

          A integridade estrutural do osso pode estar comprometida em tempos pela necessidade do metabolismo normal do cálcio e o estado da doença; alterando assim a estrutura e massa óssea. Este fenômeno pode ser notado na estrutura óssea pela menopausa feminina em que ocorre um decréscimo no nível do hormônio estrôgenio. Como o osso perde massa, as comunicações entre o trabeculado ósseo também são perdidas. O fato da intercomunicação normal ser importante no sentido de tornar o osso uma estrutura biomecanicamente rígida, esse decréscimo leva a fragilidade. Outra doença que demonstra a dinâmica da remodelação óssea é a doença de Albers-Schoenberg, que também é denominada "doença óssea com aspecto de mármore". Com essa doença, os osteoclastos ficam defeituosos, e o processo de remodelação óssea termina no nível de reabsorção osteoclástica (Fig. 2). Os osteócitos mantém sua matriz mineral para adição lenta de sais minerais futuramente e, assim, obliterar canalículos nutrientes. Os osteócitos sobrevivem o tempo de vida normal ou morrem cedo devido a um compromisso nutricional. Pelo fato dos osteoclastos não reabsorverem a matriz óssea existente e liberar proteínas ósseas morfogenéticas, a formação óssea não ocorre, afim de resultar em um osso avascular e acelular (essencialmente "osso velho") que é quebradiço e, portanto, fratura facilmente e frequentemente se torna infectado.

         Interações metabólicas/hormonais tem um importante papel na manutenção da estrutura óssea; o mais importante disso é a união entre a reabsorção óssea a nova aposição óssea através das proteínas morfogenéticas ósseas na remodelação óssea diária. Aproximadamente 0.7% do esqueleto humano é reabsorvido diariamente e substituído por osso novo saudável. Por esse motivo, uma renovação em todo o esqueleto ocorre a cada 142 dias. Quando osteoblastos depositam osso eles também secretam proteínas ósseas morfogenéticas na matriz mineral. Estas proteínas ácido-insolúveis residem lá até serem liberadas pela reabsorção dos osteoclastos. Esta insolubilidade do ácido é um mecanismo evolutivo, com o qual o pH criado pelos osteoclastos é capaz de dissolver o osso mineral sem afetar as proteínas ósseas morfogenéticas. 4 O restante das proteínas ósseas morfogenéticas é então aderida a superfície celular de células de origem mesenquimal não diferenciadas, onde a membrana proteica manda um sinal para se tornar ativada com fosfato adesivo de alta energia. Isso provoca uma alteração genética, causando diferenciação osteoblástica e provoca um estímulo para produção de novo osso. Um distúrbio nessa ligação pode ser o ponto central da osteoporose.

           Com a idade e o estado metabólico da doença pode ocorrer uma redução no processo normal de renovação, causando um aumento na idade média do osso presente. Esse aumento pode levar a fadiga, prejudicando o osso, comprometendo a cicatrização óssea, levando ao fracasso em integrar os implantes, ou perda da integração na instalação. 5 Então, é muito importante que os dentistas tenham noção que um estado comprometido pode não ser reconhecido até que o clínico tente instalar o implante ou que o mesmo esteja instalado por um determinado período.

Estrutura Macroscópica do Osso
           A estrutura macroscópica do osso é uma continuação do tecido cortical denso ao fino tecido trabecular. Entre esses dois términos não há diferença histológica no tipo de osso, apenas na quantidade relativa de substância sólida presente e a forma geómetrica onde é depositado (o tamanho e o número de espaços). Na maioria dos casos, tanto o tecido trabecular quanto o cortical são encontrados em todo o osso, mas a quantidade e distribuição de cada varia. (Figs. 3 e 4).

          Osso compacto ou cortical é encontrado nas diáfises de ossos longos e na superfície externa de ossos chatos. Esse tecido é organizado em ossos cilíndricos consolidado em torno de uma vaso sanguíneo central (referido como o sistema harvesiano). Osso trabecular, esponjoso, ocupa um espaço substancial dentro do tecido ósseo que constitui a cavidade do osso. As cavidades medulares são preenchidas com medula: medula vermelha quando há produção ativa de células ósseas ou uma reserva populacional de células mesenquimais e medula amarela quando a cavidade foi convertida em um sítio para reserva de gordura com a idade.

          Exceto pelas superfícies articulares a superfície do osso é recoberta com periósteo, que é composta por duas camadas de tecido conjuntivo especializado. As outras camadas fibrosas tornam o periósteo menos rígido porque sua configuração é constituída principalmente de fibras colágenas densas e fibroblastos. Essa camada é rica em fibras nervosas e suprimento sanguíneo. A camada celular mais interna, que está em contato com o osso, contém osteoblastos funcionando e é frequentemente referida como uma camada de troca.

          As cavidades e espaços medulares recobertos por endósteo consistem de uma simples camada de osteoblastos formando uma membrana bem fina e delicada. O endósteo possui uma arquitetura semelhante a camada de troca celular do periósteo por causa da presença de células osteoprogenitoras, osteoblastos e osteoclastos.

Estrutura Microscópica do Osso
          À nível microscópico, existem quatro tipos de osso: osso trabeculado, composto, lamelar e fasciculado. O osso trabeculado desempenha um importante papel durante a cicatrização. A habilidade do osso trabeculado de se formar rapidamente (numa média aproximada de 30 a 60 (m por dia) é a sua maior propriedade. Entretanto, pelo fato do osso trabeculado se formar tão rapidamente, desenvolve uma forma desorganizada sem a estrutura lamelar dos sistemas harvesianos e fica, portanto, mole. Como resultado, osso trabeculado tem pouca resistência biomecânica. Apesar de ser referida em literatura como "osso embrionário" esse termo é um tanto incorreto porque todos os adultos tem habilidade para formar esse tipo de osso. Em vez disso, o osso fasciculado é referido como a fase I do osso durante a cicatrização óssea. 6 (Fig. 5). Apesar do osso fasciculado (fase I do osso) ser depositado rapidamente, normalmente não dura muito porque não se pode perceber biomecanicamente. Ocorre reabsorção obrigatória e substituição por osso maduro, determinando a fase II ou osso lamelar.6-8 (Fig. 6). O termo osso composto é usado para descrever o estágio de transição entre o osso trabeculado entrelaçado ao osso lamelar. (Fig. 6).

          Osso lamelar (fase II do osso) é o principal, maduro, que suporta a carga do corpo, e é extremamente forte. Pelo fato de se formar bem devagar (numa média de aproximadamente 0.6 a 1.0 (m por dia), tem sua estrutura colágena e mineralizada muito bem organizada. Osso lamelar consiste de camadas múltiplas e orientadas. Osso fasciculado é o principal osso encontrado ao redor dos ligamentos e articulações e consiste de interconexões entre os ligamentos.

Estrutura Molecular do Osso
          À nível molecular, osso é um material composto. É uma matriz colágena interligada que possui um arranjo tridimensional múltiplo de suas fibras. A orientação das fibras colágenas determina o padrão de mineralização. Por esse lado, o osso se adapta ao seu ambiente biomecânico e projeta máxima potência na direção em que é submetido a carga (essa é a primeira função das fibras colágenas).

         A substância óssea intercelular tem um aspecto homogêneo de uma estrutura organizada. A porção orgânica ocupa 35% da matriz e é formada primeiramente de fibras osteocolágenas, que são similares às fibras colágenas do tecido conjuntivo. Essas fibras são unidas por uma substância com consistência semelhante ao cemento formada principalmente de glicosaminoglicana (proteína polissacarídea).

         Sessenta e cinco por cento do peso do osso corresponde ao seus componentes inorgânicos localizados apenas no cemento depositado entre as fibras. Os minerais são encontrados principalmente na forma de cristais de fosfato de cálcio com uma estrutura de apatita que corresponde a hidroxiapatita. Esses minerais formam depósitos de partículas densas ao longo das fibras osteocolágenas. As lacunas e os ductos são cobertos por uma fina camada de um cemento orgânico especial que difere do resto da substância intercelular por sua falta de fibras.

         Matriz óssea proteica calcificada consiste de componentes minerais (65%), principalmente hidroxiapatita, e componentes não minerais (colágeno 35% e outras proteínas e peptídeos 5%). Essas outras proteínas e peptídeos, como as proteínas ósseas morfogenéticas, regulam como o osso irá se depositar e se manter. A matriz óssea tem o aspecto característico de camadas sequenciais que variam em espessura de 300 a 700 (m). Essas camadas são o resultado de uma deposição rítmica e uniforme da matriz. As fibras dentro de cada camada são paralelas, com uma orientação em espiral que muda entre as camadas, desta forma as fibras de uma camada correm perpendicularmente às fibras da camada adjacente. Essa disposição alternada explica a divisão existente entre as camadas.

Reparação Óssea (Modelação e Remodelação Óssea)
          Modelação óssea é definida como qualquer mudança em forma, tamanho do osso. Pode ser um processo anabólico com deposição óssea na superfície, ou pode ser um processo catabólico com reabsorção da superfície. Como esses dois processos podem ocorrer separadamente em superfícies diferentes, modelação óssea é um fenômeno específico da superfície que ocorre durante o crescimento como parte da cicatrização da ferida (e.g., durante a estabilização de um implante endósseo) e em resposta a carga submetida ao osso.

          Modelação é um processo independente cuja formação não tem que ser precedida por reabsorção. A ativação das células para reabsorver ou formar, pode ocorrer no mesmo osso em diferentes superfícies. Um exemplo disso é o movimento ortodôntico de um dente, onde a força aplicada resulta em reabsorção óssea na superfície do dente e formação óssea na superfície oposta resultando em movimentação do dente com o osso em volta e não através do alvéolo.

          Modelação óssea pode ser controlada por fatores mecânicos, como no caso do movimento ortodôntico do dente, ou por fatores de crescimento, como no caso de cicatrização óssea, enxerto ósseo e osseointegração. Microstrain (ME) é um método para medir a força aplicada ao osso como percentual de deformação do tecido. Por exemplo, a carga de 200 ME produz uma deformação de 0.2% do tecido. Com uma variação de 200 e 2.500 ME, há resposta funcional normal em que o osso mais resistente é formado face ao aumento das cargas. A atrofia ocorre nos casos em que a força é baixa (i.e., menos que 200 ME). Quando a força está entre 2.500 e 4.000 ME (i.e., a deformação de 0.25% a 0.4%), hipertrofia ocorre com uma mudança no tamanho do segmento ósseo. 9 A modelação que ocorre durante hipertrofia é a formação de osso Iamelar. Se a força excede 4.000 ME, há uma sobrecarga patológica, e a modelação que ocorre é a formação de osso trabeculado. Nessa situação, o osso responde o mais rápido possível para encontrar a força excessiva produzindo o tecido que pode ser formado mais rapidamente (i.e., osso trabeculado, que possui uma capacidade para suportar cargas limitada).9

          Os efeitos do controle biomecânico e influência dos fatores de crescimento podem ser observados em dois respectivos modelos de cicatrização e osseointegração dos enxertos ósseos. Com o propósito de um esclarecimento sobre a formação e remodelação óssea, o modelo de cicatrização do enxerto ósseo será discutido primeiro.

          O local de formação óssea mais popular (i.e., ilíaco e o platô da tíbia) são escolhidos por sua densidade celular nula. As células osteocompetentes que eles oferecem para o enxerto são osteoblastos, endósteos e uma população de células de origem medular nulas. 6, 7, 10, 11 Essas duas populações celulares devem ser transferidas para a área dos maxilares de uma forma viável e colocadas em um tecido que tenha vascularização suficiente para difundir os nutrientes para as células antes da revascularização e então formar novos capilares no enxerto para uma vascularização permanente. Essas células medulares são um tanto résistentes sendo capazes de permanecer fora do osso por pelo menos 4 horas sem perder mais do que 5% da sua capacidade.12 Muitos armazenamentos em solução temporária tem sido testados para verificar essa experiência extra-corpórea, com  temperatura ambiente em solução salina ou em meio de cultura mantendo a melhor viabilidade. Parece que resfriando o meio, aumenta a viabilidade do tempo para mais de 4 horas, enquanto que o calor reduz a média do tempo e aumenta a perda celular. 12 Soluções hipotônicas, como D5- W ou água estéril não são recomendados.

           A colocação de um enxerto que consiste de osteoblastos endósteos e células de origem medular, rodeado por tecido celular vascularizado, cria um sítio recipiente com bioquímica que é hipóxica (tensões O2, 3 a 10mm Hg), ácida (pH 4.0 a 6.0), e rico em lactato.13. O enxerto por si só contém uma população de células osteocompetentes, assim como ilhas de osso mineralizado nulo, fibras e plaquetas do coágulo sanguíneo.

          Os osteoblastos endósteos e células de origem medular sobrevivem aos primeiros 3 a 5 dias largamente por causa da sua posição superficial e habilidade em absorver nutrientes dos tecidos recipientes. Os osteócitos do osso mineralizado nulo morrem como resultado do seu encapsulamento em mineral, que funciona como uma barreira nutricional. Pelo fato do enxerto ser hipóxico e o tecido ao redor ser normal (50 a 55mmHg), um gradiente de oxigênio maior que 20mmHg (usualmente 35 a 50mmHg) é necessário para estimular o início da quimiotaxia dos macrófagos, e também, os macrófagos são estimulados a secretar os macrófagos derivados do fator angiogênese (MDFA) e macrófago derivado do fator de crescimento (MDFC). Com o enxerto, as plaquetas estão juntas com o coágulo, precipitando horas após a colocação do enxerto, liberando fatores de crescimento derivados de plaquetas (FCDP). Além do mais, as propriedades inerentes da ferida, particularmente o fenômeno do gradiente de oxigênio e FCDP iniciada no início da angiogênese dos capilares circundantes e mitose das células transferidas osteocompetentes.5 (Fig. 7).

         Pelo 3° dia, capilares recém-formados oriundos dos capilares que estão ao redor do enxerto podem ser vistos. Eles penetram o enxerto e proliferam entre a rede de osso para formar uma rede de trabalho completa pelos 10° e 14° dias. À medida que os capilares respondem ao gradiente de oxigênio, os mensageiros MDFA efetivamente reduzem o gradiente de oxigênio à medida que eles penetram o enxerto, então criando um mecanismo para desligar prevenindo um excesso de angiogênese (Fig. 8).

         Embora FCDP pareça ser o primeiro mensageiro a estimular a formação de osteóide, FCDP é provavelmente substituído por MDFC e outros estimuladores de tecidos mesenquimais da família dos fatores de crescimento beta. Durante os primeiros 3 a 7 dias, a população de células originárias e osteoblastos endósteos produzem apenas uma pequena quantidade de osteóide. Depois que a rede vascular foi estabelecida, a produção de osteóide acelera, provavelmente como resultado da viabilidade de oxigênio e nutrientes. O osteóide inicial formado desenvolve na superfície do trabeculado mineralizado dos osteoblastos endósteos. Logo a seguir, ilhas de osteóides individuais desenvolvem entre o trabeculado ósseo, provavelmente das células originárias transferidas com o enxerto. Uma terceira fonte de produção de osteóide se desenvolve de células originárias circulantes, que também são atraídas do meio bioquímico da ferida.11 Essas células são postuladas a se desenvolverem dentro do enxerto, proliferar, e então contribuir para a produção de osteóide (Fig. 9).

         Durante as primeiras 3 ou 4 semanas, essa fase bioquímica e celular de regeneração óssea prossegue o coalescimento de ilhas de osteóide individual; superfície de osteóide em trabeculado nulo e uma grande quantidade de osso para consolidar o enxerto. Esse processo usa a rede de fibrina do enxerto como um arcabouço, sendo usualmente referido como osteocondução, que fornece uma plataforma para o qual foi denominado "substituição rasteira"; entretanto, nesse sentido, é "formação rasteira". Normalmente são células não móveis, assim como osteoblastos, podendo vir a ser um tanto móvel através de um processo de endocitose por meio de uma fibrina semelhante a uma plataforma. Esse processo de endocitose é apenas a transferência da membrana celular pelo retratamento da borda da célula através do citoplasma como uma vesícula para reformar a membrana celular. Esse processo avança lentamente e permite a secreção do produto no processo. Nesse caso, o produto é o osteóide da rede fibrinosa. Essa fase de regeneração celular é geralmente referida como a fase I da regeneração óssea.6 À medida que a regeneração está quase completa (4 a 6 semanas), produção e mineralização de osteóide suficiente para permitir o funcionamento do enxerto. O osso nesse estágio se formou sem passar pela fase condroblástíca e histologicamente aparece como osso celular, que o patologista poderia se referir como osso trabeculado.14

         Como a quantidade de osso formado durante a fase I depende da densidade da célula osteocompetente, sítios doadores com o maior trabeculado ósseo são escolhidos. Em uma classificação, foi mostrado que o ilíaco anterior, tíbia, cabeça do fêmur, e sínfise mandibular são sítios doadores potenciais com grande disponibilidade de osso do que o calvário, costela ou fíbula. 15 Além do mais, o desenvolvi- mento da fase I do osso são conseguidas pela compactação do material de enxerto. Tecnicamente isso geralmente é conseguido usando uma fábrica de osso seguido pela compactação por seringa, e então compactação adicional no local onde será colocado o enxerto usando instrumentos de compactação de osso.

         Como foi declarado anteriormente, a bioquímica do tecido receptor e o enxerto por si só é inerente. Entretanto, desse ponto de vista, estudos e experiências com plasma enriquecido com plaquetas (PEP) adicionado ao enxerto mostraram uma consolidação precoce e mineralização do enxerto na metade do tempo, com uma melhora de 15% a 30% na densidade trabecular óssea.16 O conceito é que PEP, um coágulo fibrinoso (também denominado cola fibrosa), é rico em plaquetas, que, por sua vez, liberam FCDP (Fig. 10). Foi teorizado que esta quantidade de FCDP inicia a atividade de células osteocompetentes mais completamente do que no enxerto e coágulo sozinhos. Além disso, acredita-se que a rede de fibras desenvolvida criada pela PEP melhora a osteocondução através do enxerto, suportando a consolidação do enxerto. Esse mecanismo grosseiro de adição bioquímica para melhora da ferida pode ser uma visão futurista. No momento em que esse artigo está sendo escrito, clínicos e pesquisadores estão pesquisando a disponibilidade clínica do DNA recombinante produzir proteínas ósseas morfogenéticas. No carreador reabsorvível apropriado, essas proteínas ósseas morfogenétícas tem demonstrado, em estudos com animais e experiências em humanos, produzirem fisiologicamente osso normal que irá originar enxerto ósseo no futuro.

         A regeneração óssea celular que ocorre durante a fase I é osso trabeculado desorganizado que é estruturalmente parecido, mas não quando é comparado com osso maduro. Esse osso passará por uma reabsorção obrigatória e a substituição por um tipo de remodelação. Será trocado eventualmente na fase II do osso, que é menos celular, mais mineralizado e mais organizado estruturalmente.6,14

         Como ocorre com todas as remodelações ósseas, a substituição da fase I pela fase II é iniciada pelos osteoclastos que são fusionados por células mononucleares que chegam ao local do enxerto através da rede vascular recém-formada.3, 14 Tem sido postulado que esses osteoclastos são reabsorvidos em um ciclo de remodelação/substituição normal. As proteínas ósseas morfogenéticas são liberadas à medida que a reabsorção de ambos, tanto o osso da fase l recém-formado quanto o trabeculado ósseo ocorrem. À medida que o osso normal vai sendo substituído, as proteínas ósseas morfogenéticas agem como uma ligação entre osso reabsorvido e o osso depositado. As células originadas no enxerto do transplante original e células novas vindas dos tecidos locais e da circulação são responsáveis pela diferenciação osteoblástica e a nova formação óssea. Osso novo se forma na medida em que os maxilares e o enxerto vão respondendo as demandas do local. Esse osso se desenvolve em sistemas harvesianos maduros e osso lamelar que é capaz de resistir as forças aplicadas nos maxilares através dos movimentos de abertura e fechamento, assim como tolerar o impacto compressivo das torças que são típicas de dentadura e que os implantes suportam. Histologicamente, esses enxertos são envolvidos em uma remodelação a longo prazo que é condizente com o processo normal de renovação do esqueleto. O periósteo e o endósteo fazem parte desse ciclo de remodelação a longo prazo. O córtex do enxerto nunca fica denso, compacto como o córtex dos maxilares, e o enxerto por si só retém padrão de trabeculado denso que é vantajoso na instalação dos implantes porque a densidade celular desse osso promove osseointegração. Há também uma vantagem na instalação de dentaduras convencionais porque o trabeculado ósseo denso pode se adaptar facilmente a uma variedade de tensões funcionais. Radiograficamente o enxerto integra-se a morfologia do contorno da cortical mandibular ou maxilar por vários anos.

          Cirurgiões podem usar esse conhecimento da fisiologia do osso para planejar as cirurgias pré-protéticas, e programar reabilitação protética completa. Essencialmente, o enxerto pode entrar em função em 6 semanas. Subsequentemente, procedimentos pré-protéticos, assim como vestibuloplastias, podem ser finalizados em 4 meses, porque o periósteo funcional já foi formado. Implantes osseointegrados podem também ser instalados nesse momento, e são frequentemente instalados quando a vestibuloplastia é feita. Esses implantes osseointegram em enxertos ósseos rapidamente e podem ser ativados em até 4 meses.

          Osseointegração dos implantes depende da densidade do trabeculado ósseo, altura e largura da crista, e a saúde sistêmica do osso.5 A longevidade do ímplante depende da sua habilidade em manter a osseointegração sob função. Particularmente, osso ou enxerto com altura alveolar deficiente vai instalar o implante mais por cima do osso que por dentro do osso, criando uma alavanca, que fará perder o implante ao longo do tempo. Uma crista ou enxertos estreitos instalarão implantes cilíndricos por fora do osso, ou necessitarão do uso de implantes com um diâmetro insuficiente para obter osseointegração sob função. Osso ou enxerto em trabeculado ósseo de baixa densidade vai falhar na osseointegração  mais cedo ou mais tarde

    

Fig. 1 - Osso normal
Fig. 2 - Osso que não foi remodelado
Fig. 5 - 1ª fase do osso

     

Fig. 6 - Transição entre a 1ª e a 2ª fase do osso
Fig.7 - Enxerto ósseo no 1º dia
Fig. 8 - Enxerto ósseo no 3º dia

     

Fig. 9 - Enxerto ósseo no 14º dia
Fig.10 - Increased platelets with PRP
Fig.11 -
Migração de osteoblast para superfícies de implantes.

    

Fig. 12 - Osso cresce da camada do cortex
Fig.13 - Migração óssea ao longo da superfície óssea
Fig.14 - Fase de Osteoadaptação

  

Fig. 3 - Enxerto ósseo na mandíbula
Fig. 4 - Mandíbula normal


Biologia da Osseointegração
           Nossos estudos com implantes cilíndricos de spray de plasma indicam um processo trifásico de osseointegração: Fase osteofílica, de osteocondução e osteoadaptação.5

Fase Osteofílica
          Quando uma superfície rugosa do implante é instalada no osso medular da mandíbula ou maxila, apenas uma pequena quantidade de osso estará em contato com a superfície de metal do implante. O resto da superfície do implante estará exposta ao espaço medular. A resposta inicial é uma migração de osteoblastos e produção de osteóides na superfície do implante (Fig. 11) A fonte desses osteoblastos é a superfície endóssea dos osteoblastos do trabeculado ósseo e a superfície interna do córtex bucal e lingual (Fig. 12) É provável que essas células estejam respondendo as proteínas ósseas morfogenéticas liberadas durante a instalação dos implantes e da reabsorção inicial do osso comprimido contra a superfície metálica. A fase osteofílica dura aproximadamente 1 mês.

Fase de Osteocondução
          Após contato, as células ósseas disseminadas ao longo da superfície metálica (osteocondução) se fixam nos osteóides. O osso que é depositado é geralmente uma fina camada que inicialmente se assemelha, e é denominado, como "foot plate" do osso (Fig. 13) Essa fase continua ao longo dos próximos 3 meses ao mesmo tempo em que o osso é depositado na superfície do implante. Nesse momento (4 meses depois da instalação inicial) o máximo de área de superfície é coberta por osso e depois disso não se observa mais nenhum crescimento.

Fase de Osteoadaptaçâo
          A fase final começa aproximadamente 4 meses depois da instalação dos implantes, ao mesmo tempo em que a fase de osteocondução termina (Fig. 14). Está associado com um estágio estável (nenhuma perda ou ganho de osso contra o metal) de uma sequência de reabsorção e remodelação que continua mesmo depois que os implantes são expostos e colocados em função.

Teste de Resistência do Implante
          Para relembrar, tivemos a oportunidade de comparar a resistência dos implantes a forças (medindo a resistência da osseointegração) entre mandíbula posterior normal, enxerto ósseo CCB em mandíbula normal e mandíbulas irradiadas. Osso com enxerto possui uma resistência superior e uma área de superfície osso-implante de 72%. Resistência um pouco menor foi observado em mandíbula normal, com uma interface osso-implante de 47%. Uma redução maior na resistência foi registrado em mandíbulas irradiadas, com uma área de superfície de 39% (Fig. 15).

           Figura 16 demonstra a resistência em osso nativo, mostrando uma força inicial de 18NM. Essa resistência diminui após as primeiras 4 semanas porque a remodelação óssea perdeu o efeito da fixação da instalação inicial do implante. Apesar da fase histológica osteofílica ter ocorrido simultaneamente, o osso não estará aderido ao metal durante esse momento. Depois da 4ª semana, um aumento na resistência foi notado, que foi atribuído a fase osteocondutiva. Aumento futuro na resistência continua como uma expressão do ganho de contato osso com metal durante a fase de osteocondução a uma resistência final de 48NM. A resistência elevou a resistência máxima, indicativo da fase de osteodaptação, que começa em aproximadamente 4 meses.

           A resistência inicial em osso irradiado foi de aproximadamente 18NM como resultado do efeito de fixação do cilindro de metal no osso. Essa resistência também diminui ao longo das próximas 4 a 5 semanas por causa da remodelação do osso durante a fase osteofílica. Entretanto, essa remodelação é menor devido a hipovascularização e hipocelularidade causados pelos efeitos nocivos da radiação ao osso. De maneira semelhante, o osso irradiado demonstra um aumento na resistência que coincide com a fase de osteocondução, mas foi reduzido aos poucos. A resistência elevou-se até 36NM, que foi indicativo de contato osso- metal de 39%, comparando com 47% obtido em osso normal.

Fig. 11 -
Fig.
13 -Migração 6ssea ao longo da supelf(cie 6ssea. Fig. 14 -Fase de osteoadoptação.


       Figura 18 demonstra a curva de resistência do osso com enxerto ósseo com instalação de implante imediato Inicialmente, e para as primeiras 4 semanas há uma pequena, se nenhuma, resistência às forças porque o CCB está passando pela fase I da regeneração do osso e desenvolvendo osteóide na melhor forma. Em aproximadamente 4 semanas, a resistência começa a aumentar e progride mais rapidamente a um nível mais alto (indicado pela descida íngreme da curva). Isso é indicativo de rápida formação óssea no enxerto e remodelação da fase I com um aumento do contato osso-metal. A resistência diminui em 20 semanas, com uma resistência de 60NM, que é indicativo de remodelação prolongada do osso com enxerto, assim como maior contato osso-metal (72% histologicamente).

          Interpretação da histologia e resistência demonstra que a quantidade de osseointegração varia entre osso normal, osso irradiado, e osso com enxerto, mas isso ocorre com cada tipo de osso e segue um mecanismo similar. Se adicionarmos esse dado a nossa experiência clínica humana com cada tipo de osso nós achamos que a osseointegração clínica ocorre em alto grau em cada sistema. (Osseointegração clínica é definida como um implante que está estável no osso sem mobilidade ou perda óssea radiográfica após um ano ou mais de função). Apesar das diferenças na resistência e contato osso-com-metal, cada sistema aparenta clinicamente ter contato osso-metal para manter integração em condições clínicas normais durante função. Em nossa experiência, integração clínica com osso irradiado, que teve um contato osso-metal de apenas 39%. ocorreu em 82% dos implantes. Além disso, a perda de 18% dos implantes em osso irradiado ocorreu antes de colocar em função e osteoradionecrose não se desenvolveu (provavelmente devido ao uso de oxigênio hiperbárico). Uma vez que os implantes tenham integrado, eles não perdem a integração sob função. Similarmente, todos os implantes perdidos em cada sistema foram perdidos antes de colocar em função.

          Uma vez integrado, implantes em cada tipo de osso raramente perdem sua integração. Além do mais, suspeitamos que um contato mínimo de osso-metal existe para osseointegração clínica, sobretudo na osseointegração é mantida. O menor contato osso-metal observado, que foi de 39% em osso irradiado com uma resistência de 36NM, está acima do mínimo desconhecido.

          Extrapolação clínica desses dados demonstram que o uso de implantes osseointegrados é praticável em osso normal, osso irradiado, osso com enxerto. Porque o osso integra em um alto grau, enxerto ósseo ao redor de implantes é recomendado em sítios que são deficientes em volume ou densidade óssea, ou em sítios que tem uma história de falha de implante. Quando reabilitamos maxilares que foram reconstruídos, instalação de implantes em osso com enxerto é a melhor opção quando comparado com osso irradiado ou até mesmo osso normal, apesar de cada tipo de osso ser aceitável. Essa extrapolação clínica também indica que um período de 4 meses para osseointegração é sugerido para osso normal e osso com enxerto. Entretanto um período de integração é sugerido para osseointegração em osso irradiado.

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* Professor Chefe de Cirurgia, Divisão de Cirurgia Oromaxilofacial. Departamento de Cirurgia. Escola de Medicina da Universidade de Miami, Flórida.
** Professor Auxiliar de Cirurgia. Divisão de Cirurgia Oromaxilofacial. Departamento de Cirurgia. Escola de Medicina da Universidade de Miami, Flórida.
*** Professora Auxiliar do Curso de Especialização em Implantodontia IOPUC - RJ