Planejamento
pré-operatório
cirúrgico e protético
Princípios da implantologia oral hoje
Harald
J. Schiel*
André Rätzer Künzel**
Resumo
Neste artigo os autores abordam os conceitos estabelecidos
pela implantologia e seus termos assim como ressaltam a importância do planejamento
protético e cirúrgico e controles regulares após a reabilitação e métodos clinicamente
relevantes como os índices gengival e periodontal e o periotest.
Abstract
In this paper the authors explain the new terms that
came with the implantology. They also emphasize the importance of preliminary
evaluation and necessity implant planning before surgery. Also the relevance
of a recal program after implantation and indexes used in this controls ( plaque
index, gingival index and periotest)
Palavras-chave
Implantes, planejamento, controle
Key Words
Implants, planning, recall
Introdução
A implantação endo-óssea para reabilitação dentária unitária
ou como elemento de ancoragem para uma reconstrução removível em casos de extensa
perda dentária, proporcionou uma grande reviravolta nos últimos 20 anos para
reabilitação de pacientes ganhando assim um grande significado para a odontologia
( Adell et aI 1981, Watzek et aI 1985, Neukam et aI1992).
Enquanto inicialmente na implantologia, a interface
entre o osso e o implante ou a osseointegração estava em primeiro plano, hoje
em dia estão critérios estéticos e funcionais (Bahat 1993, Buser & Maeglin
1994, Belser et aI1994).
Significado da reabilitação endo-óssea
Com
a segurança em termos de implantação e consequentemente
o exito da osseointegração, seguiram-se aspectos plásticos-estéticos com objetivo
da reabilitação perfeita, onde o grau de perfeição deve tomar como parâmetro
o aspecto individual da dentição remanescente. Nos últimos anos, tem sido alcançados
grandes aperfeiçoamentos principalmente em termos de reabilitações unitárias
em região anterior e posterior, que podem ser justificados com técnicas operatórias
mais apuradas e aperfeiçoamento dos elementos de construção pré-fabricados para
a supra estrutura.
A cirurgia pré-protética muitas vezes trabalhosa
em termos cirúrgicos é dolorosa para o paciente, e apesar de tudo muitas
vezes mal sucedida, foi praticamente removida do plano operatório com o advento
dos implantes. Esclarecidos pela mídia e propaganda, aumentou o desejo do paciente
por uma reabilitação com implantes e próteses dentárias fixas (Andersson et
al. 1995).
A implantação endo-óssea, devido aos resultados
positivos e de modo geral seguro e previsível., corresponde hoje ao método de
reabilitação de primeira escolha. Deve-se discutir individualmente caso a caso,
se há contra-indicações médicas gerais ou cooperação e higiene. Nestes casos
uma reabilitação protética convencional é mais adequada, ou nos casos em que
o paciente não se disponha a se submeter a um ato cirúrgico (Lekholm & Zarb
1985).
Aspectos relacionados aos implantes
São até hoje desconhecidas ou não foram
descritas reações alérgicas aos implantes atualmente utilizados, fabricados
em sua maioria em titânio puro (Fig 1). Na fase de cicatrização ocorre sempre
uma reação de corpo estranho mais ou menos reativa, resultando na encapsulação
do material estranho ao corpo, (Donath 1991) o que pode ocorrer pelo depósito
de tecido conjuntivo.
A conexão direta funcional e estrutural
entre osso vivo e ordenado e a superficíe do implante submetida a carga funcional
é denominada osseointegração (Brannemark 1981 ) ou anquilose (Schroeder 1994).
Na pior das hipóteses, a reação de corpo
estranho leva
a um encapsulamento por tecido conjuntivo e consequentemente a perda do implante.
Quando e sob que condições isto acontece, fica claro na maioria dos casos, mas
este processo é responsável pela maior parte das perdas prematuras durante e
após a fase de cicatrização.
Como a implantologia corresponde a um procedimento plástico-cirúrgico
eletivo, exige-se uma taxa de sucesso de 100 por cento. Uma garantia na medicina
não é possível, mas apesar de tudo deve-se poder trabalhar com o máximo de segurança.
Fundamental é a fase de preparo com anamnese, indicação
e seleção do paciente (Lekholm & Zarb 1985) e planejamento ( Schwarz 1987,
besimo 1992, Schiel et al 1993), para que se tenha as melhores pré-condições
para o sucesso da implantação.

Fig. 1: Diversos tipos de implantes endo-ósseos, Da esquerda para
a direita. Ha-Ti® pescoço longo e curto. FRIALIT-2®, Branemark®
e ITI-Bonefit®
Fig. 2a: Fratura do incisivo central esquerdo após trauma.
Fig. 2b: Implantaçãoimediata com implante FRIALIT-2®
Fig. 3a: Cicatrizador gengival em posição
Fig. 3b: Reabilitação após duas semanas
Fig. 4: Determinação do valor do Periotest® para controle
e comparação da estabilidade do implante
Aspectos cirúrgicos
Espera-se do usuário e do pessoal auxiliar experiência
cirúrgica e formação suficiente assim como uma infra-estrutura da sala
de operação que permitam o procedimento em condições de esterilidade. (Friberg
1996).
Um planejamento pré-cirúrgico-protético é condição primordial
e deve incluir exames radiográficos e sua análise. A classificação de qualidade
e quantidade óssea (Misch & Judy 1987, Cawood & Howell 1988) são parte
da perspectiva de sucesso da implantação. Um enceramento de diagnóstico permite
um planejamento claro e mostra problemas como a dimensão vertical reduzida,
discrepâncias horizontais e oclusais ou com estruturas anatômicas (Besimo 1994).
Um posicionamento funcional inadequado ou em relação as cargas oclusais pode
ser detectado e evitado. Uma reabilitação ótima, com implantes em posição favorável
estética e funcionalmente decorre da avaliação dos dados obtidos na fase de
planejamento podendo se prever a necessidade de um enxerto ósseo ou de tecido
conjuntivo simultâneos ou precedente a implantação (Buser et al 1990).
A implantação endo-óssea, isto é o posicionamento de
um raiz artificial no rebordo alveolar como elemento de fixação para uma supraconstrução
protética pode ocorrer em termos cirúrgicos logo após a extração dentária
(Schulte et al 1992, Mensdorf- Pouilly et al 1994) (Fig. 2 a, b), de forma mediata,
após a cicatrização (cerca de 6-12 semanas) ou de forma tardia (mais de 3 meses
após extração) com o término da regeneração óssea.
A implantação ocorre em um ou dois tempos cirúrgicos,
ou seja com fase de cicatrização ou osseointegração aberta ou fechada, onde
ainda se discute qual o método mais seguro em proporcionar uma osseointegração
ou uma ligação osso implante.
A reabilitação protética é possível logo após a Inserção
ou após a cicatrização do implante. A reabilitação protética imediata somente
alcançou bons resultados em região interforaminal de mandíbula com implantes
ligados por barra (Ledermann et al 1986, Ledermann 1996). O tempo de cicatrização
dos implantes é de modo geral de 2-6 meses em todas as regiões ou diferenciado
para mandíbula (4 meses) e maxila (6 meses) com resultados semelhantes. Para
levantamento de seio simultâneo com implantação, um tempo de cicatrização mais
longo de 8 a 9 meses demonstrou fazer sentido ( Hiirzeler et al .1996). As taxas
de perda de implantes durante a fase de osseointegração estão entre os sistemas
de implantes científicamente reconhecidos em torno de 2 por cento. Após a exposição,
em caso de 2 tempos cirúrgicos, do implante já osseointegrado, posiciona-se
o modelador gengival e espera-se cerca de 2 semanas para a cicatrização da gengiva
antes da reabilitação protética (Fig 3 a,b). Em especial em regiões de grande
exigência estética como anterior e de pré-molares (Bahat 1994) ficou demonstrado;
-que o condicionamento dos tecidos moles perimplantares com provisórios de demora
individualmente fabricados em reabilitações em 1 e 2 tempos, deverá futuramente
tornar-se mais importante, visando alcançar resultados estéticos onde for exigido.Decisivo
para a futura reabilitação protética não será somente a durabilidade
prevista ( 5 anos de 95%, 10 anos 90%) , mas sim mais e mais o sucesso funcional
e estético.
Conclusão
O paciente com implantes endossais não deve ser preparado
somente para a reabilitação protética , mas também deve ser controlado periodicamente
em exames em períodos de tempo regulares.
Destes controles não usufrui somente
o paciente, mas também o implantodontista. Afinal é destas experiências
que resultam os progressos que puderam ser alcançados na implantologia.
No caso clínico documentado
como exemplo neste artigo e em inúmeros relatos na literatura, fica claro que
a implantação já é hoje um procedimento seguro. O que ainda parece problemático
é a relação e o manejamento dos tecidos moles. O resultado aqui alcançado sem
dúvida ainda não é perfeito se considerarmos as papilas interdentárias e o contorno
da coroa em sua região cervical. É necessário no entanto respeitar a expectativa
do paciente. A princípio a coroa era um "provisório" em cerâmica para
o condicionamento gengival, a paciente porém estava tão satisfeita com o resultado
alcançado que não permitiu mais qualquer modificação.
Os intervalos de tempo para os exames devem ser
determinados individualmente caso a caso. De forma genérica controles e tratamento
do ferimento resultante da implantação, podem ser determinados por problemas
na fase de osseointegração, exposição ou incorporação da supra construção. Se
o decorrer for isento de complicações os controles devem ocorrer inicialmente
no máximo em intervalos de um ano, podendo mais tarde este intervalo ser aumentado.
Examinados são a situação clínica e radiográfica assim como comparados com exames
anteriores. Como de relevância clínica têm-se considerado como relevantes o
índice de higiene ( Silness & Lõe 1964) , o índice gengival (Loe & Silness
1963) e o periotest ( Schulte et al 1991 ) Fig. 4.
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* Especialista em cirurgia oral e facial, cirurgia geral, sub-chefe do departamento
de cirurgia, estomatologia e radiologia da faculdade de odontologia da universidade
da Basiléia (Chefe de departamento: Prof: Dr. Dr. J. Th. Lambrecht).
**Assistente no curso de Especialização em cirurgia Oral e doutorado
em implantes dentários do departamento de cirurgia, e estomatologia e radiologia
da faculdade de odontologia da universidade da Basiléia. (Chefe de departamento:
Prof. Dr. J. TH. Lambrecht)