Traçado radiográfico em radiografia panorâmica como
recurso no planejamento dos implantes osseointegrados.

Marcos da Veiga KALIL*

RESUMO

    O objetivo deste trabalho é propor uma técnica simples para avaliação das radiografias panorâmicas para fins de planejamento cirúrgico em implantes osteointegrados. Visando assim tornar mais objetivo e prático a interpretação radiográfica, possibilitando a compreensão ao máximo das imagens radiográficas em radiografias panorâmicas. Fazendo com que qualquer aluno possa utilizar este exame auxiliar nesta etapa de planejamento.

ABSTRACT

    The purpose of this work is proposing a simple technique for evaluation of the panoramic x-rays for ends of surgical planning in osteointegrates implant. Seeking like this to turn more practical and objective the radiografic reading interpretation facilitating the unterstanding to the maximum of the radiografic images in panoramic x-rays. Doing with that any student can use of this auxiliary exam in this planning stage.

PALAVRAS-CHAVE

   Radiografia Panorâmica, Traçado, Planejamento, Implantes Osseointegrados.

KEY WORDS

   Panoramic Radiografic, Plan, Planning, Osseointegrate Implant.

INTRODUÇÃO

   Quando executamos um procedimento cirúrgico para instalação de implantes estamos submetendo o local a um determinado trauma aos tecidos moles e duros.

   Os cuidados que devem ser tomados neste ato são de grande importância não só para a obtenção da adequada cicatrização ou cura dos tecidos, mas principalmente para a obtenção de uma interface osso-implante do tipo ósseo integrada.

   A quantidade e qualidade óssea devem ser adequadamente
 avaliadas sendo parte importante no planejamento para obtermos sucesso neste tipo de terapia. Sendo as radiografias panorâmicas um importante recurso na condução deste processo avaliativo, como exame auxiliar insubstituível juntamente com outros exames radiográficos tais como radiografias periapicais, Oclusais e Tomografias 18.

       Neste trabalho, avaliaremos os espaços ou distâncias que devem ser respeitados entre os acidentes anatõmicos e as peças à serem implantadas. Mais especificamente, as distâncias naso-sinusal (DNS), rebordo-nasal (DRN), rebordo-sinusal (DRS), rebordo-alveolar inferior (DRA) e rebordo-basal anterior mandibular (BRB) por se tratarem de regiões anatõmica frequentemente escolhida com finalidade de receber o implante.

       Propomos uma classificação, visando facilitar na avaliação radiográfica e planejamento para colocação de uma peça de implante de forma bem didática. E assim viabilizar a qualquer iniciante na hora do planejamento radiográfico pré-cirúrgico.

REVISÃO DE LITERATURA

      
Baseado em estudos experimentais fundamentados realizados pela equipe de pesquisadores do Professor P. I. Branemark da Universidade de Goteborg, Suécia 2, o uso de implantes dentários tornou-se um tratamento cientificamente aceito no conceito odontológico, para substituir dentes perdidos ou ausentes em pacientes edentados e parcialmente dentados. O sucesso desta técnica iniciou-se pela descoberta de que o titânio, comercialmente puro poderia ser ancorado ao osso com contato ósseo direto 2.4.14.

      Mas na verdade o sucesso desta técnica, como em todo tipo de terapia em odontologia, fica na dependência de um perfeito planejamento. Deste consta do exame clínico anamnese, exames laboratoriais e radiográficos 7.8.9. 10.

      O parâmetro de acompanhamento mais viável desde o planejamento até a monitoração da saúde do implante ainda é o exame clínico e a radiografia, exame auxiliar importante utilizado pela maioria dos profissionais para estabelecer a qualidade e quantidade óssea. Incluindo portanto, os dos implantes desenvolvidos por Branemark, o sistema chamado de prótese tecido-integrada, cunhando o termo osseointegração desde 19852.15.16.17.

      Segundo Freitas, A. e Torres, F. A., em 1948, o Dr. Ott,
dentista em Berna, idealizou um protótipo de um pequeno tubo de raios X que seria colocado dentro da cavidade bucal, e como fonte de radiação, sensibilizaria um filme, que colocado por fora acompanharia as curvaturas do arco superior e inferior, obtendo assim a imagem total dos dentes num só exame radiográfico.

    Ainda segundo Freitas A. e Torres, A. F., em 1949, o Prof. Yrjo V. Paatero, de Helsink, Finlândia, publicou o resultado de suas experiências e chamou seu método de Pantográfica (a contração das palavras Panorâmica e Tomografia)6.

    Segundo Genco et col 8, radiografias adequadas, incluindo a panorâmica, oclusais e periapicais, determinam a altura do osso disponível para calcular o tamanho do implante a ser escolhido. Além de possibilitar a posição de implantação em relação aos acidentes anatômicos da região.

    Na verdade, a radiografia panorâmica constitui-se de uma visão global de todos os elementos dentários da maxila e mandíbula, assim como seus constituintes ósseos. Necessitando de radiografias complementares 1.

    No caso dos desdentados totais, sua indicação se torna ainda mais necessária visto que as distâncias entre suas estruturas anatômicas irão determinar a localização mais indicada para os implantes. Permitirá em última análise, uma visão global dos maxilares possibilitando a detecção de anomalias, patologias e acidentes ou complicações pós-cirúrgicos13.

  O sucesso total na reabilitação de edentados com uso de implantes orais requer completo recobrimento ósseo dos implantes. Isto significa que um mínimo de tecido ósseo é necessário quando o menor implante para uso odontológico é usado 3. 5. 11.

    Os implantes mais proeminentes têm entre 3 e 5 mm de largura e até 15 mm de comprimento. Portanto, uma largura mínima de 5 a 7 milímetros deve estar presente para permitir uma parede óssea intacta de espessura suficiente ao redor do implante. E ainda uma altura óssea suficiente para acolher os implantes permitindo um leito que dê resistência as forças mastigatórias se contrapondo a elas 3.

    Estudos demonstram que a espessura vestibular deve também ser suficientemente espessa com no mínimo 1 mm, para suportar os tecidos moles e permitir uma parede óssea intacta de espessura suficiente ao redor do implante.

    O exame radiográfico básico deve consistir em radiografias panorâmicas, oclusais, periapicais e tomografias. A avaliação das radiografias deve demonstrar osso suficiente para fixação do implante sem traumatizar o feixe neurovascular, seio maxilar ou os dentes adjacentes.

    Dentre as contra-indicações a prática dos implantes, pode- mos citar a ausência de osso alveolarremanescente pós exodontia principalmente após longos períodos de anodontia, a perda de osso alveolar.

    Em alguns casos, a perda óssea com consequente escassa espessura óssea remanescente inviabiliza o frezado impedindo a colocação de implantes, sendo indicado em alguns casos o uso de expansores ósseos. Proporcionando uma expansão óssea 18.

    Outra alternativa é a técnica do levantamento de seio maxilar por abertura lateral, quando existindo 4 a 6 mm de altura óssea, promover através de um elevador da membrana sinusal progressivamente pela loja óssea, o rompimento da segunda cortical e o deslocamento delicado da membrana. A partir da colocação de implantes de 8 a 12 mm, de acordo com o caso, obtém-se neoformação óssea com o coágulo existente entre a barreira de membrana, a cortical e o implante. Promovendo uma cicatrização óssea, podendo ser considerada como uma regeneração óssea.

    A posição intra-óssea do implante, em relação as corticais e acidentes anatõmicos deve ser portanto bem definida, possibilitando um perfil de emergência correto. O que acarretaria uma angulação favorável funcional e esteticamente, ou em caso contrário, simplesmente obrigar a um planejamento mais elaborado cirúrgica e proteticamente falando.

    O traçado radiográfico hoje é um tipo de recurso consagrado em outras especialidades, notadamente na Ortodontia para corrigir anomalias esqueléticas e dentárias. O Cefalograma, como é chamado, nada mais é do que a adaptação de uma folha de papel acetato transparente de espessura 0,07 mm e em seguida traça-se, em quarto escurecida sobre o negatoscópio, o cefalograma inicial para ser estudado 6.

    Por este motivo, o exame auxiliar radiográfico torna-se imprescindível.

DISCUSSÃO

    A substituição ideal dos dentes perdidos tem sido o objetivo da implantodontia desde a antiguidade. Apesar dos diferentes desenhos e sistemas de implantes, o mínimo ideal de osso remanescente deve persistir para que seja possível a implantação das peças de implante, durante a fase cirúrgica dos implantes osseointegrados.

    Há muitos sistemas de implantes disponíveis, e a indicação de que sistemas utilizar pode ter como parâmetro os aspectos anatõmicos, a forma, superfície e tamanho do implante com relação a posição nos maxilares10, 15.18.

    No caso dos implantes endósseos, como o nome mesmo diz, se faz necessário altura e largura óssea suficientes para receber o implante e ainda possibilitar um suporte ósseo ao redor do mesmo.

    Portanto, se faz necessário uma classificação que ao mesmo tempo seja simples, prática e eficiente.

    E no que tange a utilização de técnica de radiografia panorâmica, mais especificamente entre as distâncias naso-sinusais (DNS) e rebordo-sinusal (DRS), rebordo-nasal (DRN), rebordo-alveolar inferior (DRA) e rebordo-basal-anterior-mandibular (DRB). Uma perfeita e clara interpretação radiográfica se faz necessárias (Fig. 1).

    A utilidade deste traçado sobre radiografias panorâmicas, no momento do planejamento nos parece interessante, sendo um desenho anatõmico em papel fino e transparente. E assim nos dar um parâmetro esquemático preliminar das distâncias dos acidente anatõmicos principais com relação às áreas ou leitos receptores.

    Através deste desenho, partiríamos então para o exame radiográfico destas distâncias em relação ao sistema de implantes a ser utilizado, auxiliando sobremaneira o exame clínico e a avaliação da escolha do tipo, forma e dimensão do implante para um adequado planejamento pré-cirúrgico de implantes. Técnica que passamos a denominar "Técnica de avaliação e classificação radiográfica de Kal".

    Qualquer classificação quanto aos volumes ósseos deve levar em conta o sistema de implantes utilizado, quanto aos diferentes comprimentos e larguras dos mesmos. Deve ainda levar em conta, a quantidade mínima de osso adjacente ao implante suficiente para a fixação saudável do mesmo.

O traçado radiográfico permite de forma bem prática as larguras e comprimentos ósseos.


O traçado radiográfico pennite o desenho dos implantes e para fins didáticos nos cursos de fonnação.


    Levando em conta estes parâmetros, propomos para fins didáticos uma classificação dos volumes remanescentes ósseos radiograficamente falando. Quando a altura e lateralidade ou largura óssea da seguinte maneira1:

Classe I -Ótimo volume ósseo remanescente.
Classe II -Bom volume ósseo remanescente.
Classe III -Escasso volume ósseo remanescente.
Classe IV -Nulo volume ósseo remanescente.

Altura Óssea
(Distâncias entre as corticais e os implantes)
Classe I -Acima de 7 mm
Classe II -De 5- 7 mm
Classem-De 3-5 mm
Classe IV -Menor que 3 mm

CONCLUSÃO

  1. As radiografias panorâmicas são exames auxiliares que fazem parte do planejamento dos implantes osteointegrados.

  2. A correta interpretação radiográfica se faz necessária para a indicação do implante correto para o local desejado.

  3. Como em outras especialidades, o traçado radiográfico pode ser de grande valia para auxiliar na qualificação e habilitação de alunos dos cursos de implantodontia.

  4. A radiografia panorâmica sobrecontornada em papel acetato transparente facilita na aferição e visualização das distâncias entre as estruturas ósseas e os implantes.


REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

  1. ALVARES, L. C.; TAVANO. Curso de Radiologia em Odontologia. Ed. Santos, SP, 1990.

  2. BRANEMARK, P. I. Introduccion ala Osseointegracion. In: BRANEMARK, P. I. et al. Florida Dental Ioumal, v. 60, n. 2, p. 8-11, Summer, 1989.

  3. BUSER, D.; DAHLIN, C. H.; SCHENK, R. K. Regeneração Óssea Guiada em Implantodontia. Ed. Quitessence Publishing Co., Inc., RI, 1996.

  4. CRAIG, R. G.; ÒBRIEN W.J.; POWERS, J. M. Materiais Dentários Propriedades e Manipulação. Ed. Guanabara Koogan, RI. 1983.

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  8. GENCO, R.J.; CHOEN D. W.; GOLDMAN, H. M. Periodontia Contemporânea, Ed. Santos, SP, 1996.

  9. GRAZIANI, M. Cirurgia Bucomaxilofacial, Ed. Guanabara Koogan, RI, 1995.

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  11. LINDHE, J . L. Tratado de Periodontia Clínica, Ed. Guanabara Koogan, RI, 1992.

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  15. RECHENBACH, M. Osseointegração em Implantes, fatores que atuam na sua obtenção e manutenção do meio orgânico. Monografia para Especialização em Cirurgia e Traumatologia Huco-Maxilo-Facial, FOCCB, SP, 1991.

  16. REICHENBACH, M. Monografias Implantológicas, Ed. Odontex, PR, 1995.

  17. ROSEMBERG, M. M. Tratamento Periodontal e Protético, Ed. Quintessence, RI, 1992.

  18. RUBÍN,F. M.L.;RUBÍN, H.A. L. Bases para uma Implantologia Segura. Ed. Actualidades Médico Odontológicas Latinoamérica, C.A., Venezuela, 1996.

*Prof. Auxiliar da Faculdade de Odontologia da UFF.
Especialista em Periodontia e Radiologia Odontológica. Mestrando em Clínica Odontollígica na UFF.