Reabilitação oral com o auxílio de implantes osteointegrados
com superfície jateada

Francisco Paschoal Morganti *
Pedro Velasco Dias**


Resumo
        O uso de implantes osteointegrados difundiu-se rapidamente a partir da experiência sueca e têm sido utilizados amplamente também aqui no Brasil. Os autores apresentam um caso clínico de reabilitação oral através de implantes osteointegrados com superfície rugosa por jateamento (Sistema INP). O objetivo nesta apresentação é apresentar a sequência da técnica utilizada para confecção das próteses. Foi confeccionada uma peça superior para cimentação e duas peças inferiores aparafusadas.


Abstracts
       This is a clinical report about oral rehabilitation using osseointegrated implants. The implant used have a cilindric rough surface (Sistema INP). The authors emphasize the importance of the correct clinical evaluation and implant planning for the success of the final result.
    
Palavras-Chave
       Osseointegração, reabilitação, próteses, jateamento.

Key Words
       Osseointegration, rehabilitation, dental prosthese, sandblasting.

Introdução
    O sucesso em reabilitação por implantes osteointegrados inclui inevitavelmente a satisfação estética e psicológica do paciente (SMITH ; ZARB, 1989). Atualmente já não se discute muito o fenômeno clínico da osteointegração, embora sejam necessáiros mais elementos para a compreensão desse fenômeno. Os implantes cilíndricos com superfície rugosa por jateamento têm sido amplamente utilizados com índices de sucesso compatíveis com os períodos estudados dentro da literatura existente (SIQUEIRA e cols., 1997).

    Uma das grandes dificuldades em reabilitação com implantes está na fase protética, onde durante as diversas fases, desde as moldagens, instalações de componentes protéticos e confecção das próteses, pode haver necessidade de se usar componentes protéticos especiais para poder suprir eventuais alterações da posição dos implantes intraósseos. Como normalmente é a presença de osso que orienta a colocação dos implantes, durante a fase cirúrgica, nem sempre eles ficam na posição ideal de reabilitação. Atualmente com um bom planejamento pré-operatório entre cirurgião e protesista favorece sobremaneira a etapa protética pois os implantes são colocados na posição mais favorável possível.

    A seguir apresentaremos as fases protéticas de um caso clínico em que houve planejamento para posicionamento dos implantes, visando facilitar a reabilitação final. É indiscutível a necessidade de uma moldagem fiel e correta para iniciar o trabalho da segunda fase. Uma gengiva saudável e cicatrizada também é fundamental.

Caso Clínico
    Mulher com 55 anos, apresentando apenas os dentes 15 e 16 e sendo desdentada inferior posterior bilateral, recebeu 13 implantes, sendo oito na maxila e cinco na mandíbula, sendo implantes tipo parafuso e tipo pressão e como a paciente receberia próteses múltiplas optou-se por implantes sem hexágono externo (foto 1).

Período de cicatrização
       As cirurgias foram realizadas em períodos diferentes tendo sido esperado o tempo mínimo de três meses para a mandíbula e de cinco meses para a maxila.

Reabertura
        Após abertura e confirmação da osteointegração a paciente permaneceu com os cicatrizantes por 15 dias quando então foi iniciada a fase protética propriamente dita (foto 2).

Preparo para a moldagem
        Os implantes receberam os munhões de transferência indicados, devidamente adaptados e unidos entre si por fio dental (foto 3) e por resina acrílica ativada quimicamente posteriormente separados e novamente unidos para eliminar tensões (foto 4). Essa técnica impede o deslocamento de algum munhão e assegura a fidelidade da moldagem.

    
Foto 1. Radiografia dos moxilares após a reabertura. Observar que o implante no túber esquerdo foi perdido.
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2. Aspecto gengival e dos implantes superiores após a cicatrização da gengiva, à reabertura. Note o aspecto higiênico e saudável da gengiva.
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3. Os munhões de transferência instalados nos implantes estão unidos pelo fio dental.

    
Foto 4. O fio dental foi recoberto por resina acrí1ica quimicamente ativada para a moldagem de transferência.
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5. Notar a cabeça dos parafusos nos munhões de transferência durante a moldagem.
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6. Adaptação das réplicas dos implantes nos munhões de transferência em posição obtida durante a moldagem de transferência e troqueis 15 e 16.

    
Foto 7. Modelos de trabalho obtidos após o vazamento do gesso.
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8. Arco facial em posição na boca da paciente.
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9. Modelos em gesso montados no articulador semiajustável com os planos de referência posicionado.,.

    
Foto 10. Enceramento dos dentes para estudo da oclusão, no modelo de gesso.
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11. Prova na boca do paciente.
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12. Prova do copping, fundidos na boca do paciente e conferência da mordida e dimensão vertical

    
Foto 13. Prótese inferiore parafusada em posição na boca da paciente.
Foto 14. Prótese superior cimentada na boca da paciente e dentes
15 e 16 individuais.
Foto
15. Aspecto final das próteses em posição clínica


Foto 16. Radiografia final com as próteses em posição.


Moldagens
         Previamente havia sido preparada uma moldeira individual de acrílico aberta por oclusal para permitir as manobras necessárias para apertar e soltar os parafusos dos munhões de transferência. As moldagens com silicona, onde inicialmente foi preparada a massa pesada (amarela) e em seguida a massa fluida (azul), a qual foi injetada ao redor dos munhões e na moldagem sobre o material inicial. A moldeira foi novamente colocada em posição, tomando-se o cuidado de remover o material que cobria os parafusos dos munhões de transferência (foto 5). A pós o endurecimento do material os parafusos foram afrouxados e a moldagem foi removida. A seguir foram adaptados as réplicas ou similares dos implantes e vazado os dois troqueis em gesso especial (foto 6) e foi vazado o gesso (foto 7). Esses procedimentos foram realizados na maxila e na mandíbula.

Montagem em articulador semiajustável
         Foram preparados roletes em cera sobre ideal base e provados na paciente para ajuste de relação central e dimensão vertical. O arco facial foi aplicado (foto 8) e os modelos foram montados em articulador pela técnica convencional (foto 9).

Escolha de munhões e enceramento para estudo
         Após a escolha dos munhões foi realizado um enceramento dos dentes para prova e ajustes das relações intermaxilares e estéticas necessárias (fotos 10 e 11).

Prova e união dos coppings fundidos
         Após nova fase laboratorial para preparo e fundição dos coppings, estes foram provados e ajustados na boca do paciente. Esta etapa nem sempre é realizada em sessão única pois pode depender de vários retornos ao laboratório para novas provas até a adaptação final correta nos respectivos munhões (foto 12).

Aplicação de cerâmica
         A aplicação final da cerâmica foi seguida por nova prova e ajuste na boca da paciente. Após aprovação estética pela mesma e comprovação clínica do correto funcionamento dentro dos princípios gnatológicos convencionais, a prótese recebeu o glaze final e foi colocada em posição. As próteses inferiores foram aparafusadas (foto 13) e a superior foi cimentada e os dentes 15 e 16 cimentados individualmentes (foto 14). Os aspectos finais, clínico e radiográfico, podem ser observados respectivamente nas fotos 15 e 16.

Proservação
        A paciente mantém uma regularidade de consultas, que é decidido caso a caso, e foi devidamente orientada para uma correta higiene bucal.

Discussão
         A confecção de próteses fixas superiores e inferiores são trabalhosas e demandam tempo. A necessidade de uma boa adaptação dos componentes protéticos e dos coppings nestes é indispensável. Isso exije componentes precisos e um trabalho laboratorial correto. Quando há uma condução clínica bem conduzida pelo cirurgião dentista e de preferência precedida por um planejamento adequado entre os vários membros da equipe o resultado final será bem próximo àquele esperado.

       A participação do paciente em todas as fases também é importante para se saber suas expectativas e ele ficar sabendo dos limites e dificuldades do seu caso. Assim estará preparado psicologicamente para receber suas próteses dentro das possibilidades técnicas existentes, embora a aprovação final e estética só seja feita ao final, quando o paciente recebe suas próteses e começa a se relacionar na família e na sociedade (SALOMÃO e cols, 1997). Essa é a prova verdadeira.

   As funções bucais como de mastigação e fonação também devem ficar a contendo e quando houver dificuldades, principalmente em relação à fonação, o paciente já deveria ter sido avisado previamente, inclusive para a escolha da prótese mais adequada para o seu caso.

    A experiência clínica atual tem demonstrado que há necessidade de preparo profissional de todos os membros da equipe envolvida com a reabilitação por implantes. Isso inclui a fase cirúrgica e protética e esta envolve o técnico de prótese dentária. Quanto aos componentes protéticos fornecidos por um sistema de implantes é importante que existam em variedade mas o ideal seria que a colocação dos implantes fossem a melhor possível para facilitar a fase protética e evitar soluções atípicas. Estas devem existir nos casos clínicos de exceção e não dentro da rotina de reabilitação.

Agradecimentos
        Ao Dr. José Tadeu Tesseroli de Siqueira pelo auxílio na elaboração deste artigo e ao Eng. Nillo Stival do Sistema INP pelo apoio à pesquisa clínica.
                         
Referências bibliográficas

  1. SALOMÃO M, VELASCO DIAS P,D' ALLEVA PSR e SIQUEIRA JTT. A reabilitação com implantes osteointegrados: do planejamento à proservação. Considerações sobre uma amostra clínica. Ver Bras Implant, Mai/Jun:1 ]19, 1997.

  2. SMITH E and ZARB GA. Criteria for success of osseointegrated endosseous implants. J Prosth Dent, 62:567-580, 1989.

  3. SIQUEIRA JTT, VELASCO DIAS P, SALOMÃO M, SAN JUAN M e LIMA PSR. Estudo multicêntrico retrospectivo de osteointegração com implantes cilíndricos, corpo com anéis e superfície rugosa por tratamento mecânico-químico. Fase I -Avaliação da osteointegração primária (ao término da fase de cicatrização). Rev ABO Nac, Vol 5,No.3:J64-170, 1997.