Reabilitação
Estética-Funcional do Paciente Portador de Implantes
Osseointegrados "Implus"
Cristiane
Cabaleiro da Costa*
Resumo
A proposta deste artigo foi mostrar que implantes e
elementos protéticos devem evoluir conjutamente, para que obtenha-mos o máximo
de aproveitamento biomecânico da Prótese sobre Implantes dentro da Reabilitação
Oral.
Introdução
Atualmente com os implantes e componentes protéticos de última
geração a função e a estética obtidas com as próteses implanto-suportadas são
absolutamente perfeitas, desde que um Plano de Tratamento Cirúrgico Protético
seja realizado de forma minuciosa, prevendo-se os resultados funcionais e estéticos
previamente à colocação dos implantes, sendo imprescindível uma boa comunicação
entre o cirurgião e o protesista ou reabilitador oral.
É de suma importância a confecção pré-cirúrgica de um guia
de posicionamento dos futuros elementos dentários, que nos permitirá a perfeita
colocação do implante na crista alveolar, para que a coroa possa emergir da
gengiva absolutamente centrada em relação aos dentes naturais adjacentes. O
protesista conseguirá estas informações suplementares por meio do estudo dos
modelos montados em articulador.
Embora bem posicionados, os implantes podem apresentar-se
desfavoráveis à estética principalmente em relação ao maxilar superior e em
casos de reabsorções verticais avançadas resultando em dentes longos no ato
de sorrir .
Assim, a prótese sobre o implante é quem determinará
ou não a resolução cirúrgica do caso com implantes.
Discussão
Cirurgicamente falando, sabe-se da intolerância da proximidade
do periósteo com as espiras dos implantes que por ventura possam apresentar-se
expostas, resultando em fístulas ou retrações gengivais decorrentes da lise
óssea, culminando com a exposição supra gengival ou óssea das mesmas, extremamente
difíceis de serem higienizadas por parte do paciente ou mantidas por parte do
profissional, necessitando muitas vezes de intervenção cirúrgica para sua correção
ou em casos mais avançados para a remoção do próprio implante.
Este quadro pode ocorrer com mais frequência quando
utilizamos implantes osseointegrados cujo desenho de sua porção cervical caracteriza-se
por apresentar a 1ª espira muito próxima à sua margem superior, onde diante
de reabsorções ósseas verticais, não raro a lise óssea atinge esta espira trazendo
as consequências acima descritas.
Assim, com o decorrer da longa utilização dos
implantes osseointegrados acredita-se que o design ideal da sua porção cervical
seja uma cinta lisa superior a 2mm. Deste modo, realizado o implante dentro
do protocolo cirúrgico de osseointegração, este poderá ser inserido abaixo,
no nível ou até - acima da crista óssea alveolar, com um prognóstico funcional
mais favorável desses implantes em relação à sua vida útil e em relação
aos tecidos moles e duros adjacentes, posto que a distância entre a crista óssea
e ala espira é maior do que a dos implantes osseointegrados com design convencional.
(Fig. 1).
Com relação aos componentes protéticos é inadmissível
que a retenção e a estabilidade de nossas próteses estejam relacionadas unicamente
a agentes cimentantes e/ou microparafusos.
Atualmente acredita-se que os pilares protéticos
considerados de última geração são aqueles que:
Assim sendo, o design interno do implante osseointegrado, deve permitir estas características biomêcanicas dos pilares devendo possuir na sua porção cervical um hexágono interno:
Suficientemente alto e largo, permitindo segurança em relação a possíveis movimentos horizontais e verticais, além da característica antirotacional, permitindo que a peça protética tenha um padrão biomecânico ótimo quando colocada em função.
De paredes praticamente paralelas, o que permite que os pilares possuam um hexágono externo extremamente semelhante em dimensões ao hexágono interno do implante, tipo encaixe macho-fêmea, possibilitando a fricção entre ambos.
Que permita um assentamento passivo com adaptação horizontal e vertical perfeitos, sem solução de continuidade entre implante e componente protético
Pilar Transepitelial
cilíndrico reto ou angulado com antirotacional:
Confeccionado em títânio, caracterizado por apresentar um hexágono externo
que se encaixa por fricção no implante Implus, podendo ser removido somente
com auxílio de um saca pilar, propiciando retenção e estabilidade a movimentos
verticais e horizontais, permitindo um travamento em relação a movimentos
rotacionais, imprescindível nos casos unitários. Possui uma luz interna, por
onde transpassa o "parafuso de fixação", apresentando-se em diversos
diâmetros e alturas, podendo ser personalizados direta ou indiretamente de
acordo com a exigência estética e funcional de cada caso, com o favorecimento
da relação custo-benefício em comparação aos demais componentes. São indicados
para próteses cimentadas unitárias ou múltiplas.
Nos casos de implantes desfavoráveis em relação ao
seu posicionamento, podemos nos utilizar dos chamados pilares angulados, cuja
angulação varia de 15° a 35°. São conectados ao implante Implus por meio de
intermediários que variam em relação à sua cinta em função da espessura da
fibromucosa. Também podem ser personalizados, mas sabe-se que a força mastigatória
deve ser dirigida ao longo eixo do implante para obtenção de um prognóstico
mais favorável, o que não ocorre quando nos utilizamos de pilares muito angulados.
(Figs. 2 e 3)
Pilar CeraOne
Implus:
Possui duas extremidades hexagonais interpostas por um cinta lisa, extremidades
estas que se acoplarão ao implante e à base da prótese.respectivamente.
Esta cinta varia de 1 a 5 mm, em função
da fibromucosa, uma vez que seu ombro deverá apresentar-se 1 a 2 mm subgengivalmente
a partir do bordo coronário da gengiva marginal livre vestibular. É indicado
unicamente para prótese unitárias e cimentadas. A coifa, componente protético
que se adapta perfeitamente ao intermediário CeraOne, e que futuramente será
a base da prótese pode ser encontrada pré-usinada em ouro cerâmico, sobre
o qual o protético encerará a futura peça e realizará a sobre fundição, com
a vantagem da perfeita adaptação por se tratar de um componente pré-usinado;
em plástico, para posteriormente ser fundida a peça no material desejado:
em alumina para posteriormente o protético aplicar a parte estética sem que
seja utilizado nenhum material metálico. Somente está indicado para implantes
favoráveis à estética e bem posicionados, uma vez que não permitem a personalização.
(Fig. 4)
Pilar Cônico
Estheticone para Implus:
O intermediário Estheticone apresenta uma forma cônica que termina com um
ombro que deverá ser posicionado 1 a 2 mm subgengivalmente para melhor efeito
estético, apresentando uma variação de cintas de 1 a 5 mm em função das variadas
espessuras de fibromucosa.
Sobre este intermediário cônico é parafusada uma coifa,
que futuramente será a base da prótese podendo ser pré usinado em ouro
cerâmico, para posteriormente o protético realizar a sobrefundição no metal
desejado ou em plástico para ser fundida posteriormente. Esta coifa pode apresentar-se
antirotacional ou não, assim o componente Estheticone ser indicado para próteses
unitárias ou múltiplas, em função deste componente. O intermediário Estheticone
é parafusado sobre o Implus, e sobre este conjunto é parafusada a prótese
propriamente dita. Deste modo, o orifício de entrada e saída deste parafuso
fica aparente na mesa oclusal, podendo ser vedado com o auxílio de materiais
estéticos. É portanto, indicado para próteses parafusadas axiais, com
altura inter oclusal mínima de 6,7 mm. Quando esta distância interoclusal
for menor do que 6,7mm podemos nos utilizar de um mini pilar Estheticone,
denomidado MirusCone, indicado para casos de dimensão inter oclusal mínima
de 4,5 mm.
Quando a inclinação do implante tornar desfavorável a saída
do parafuso dentro da mesa oclusal, podemos nos utilizar de pilares tipo Estheticone
angulados, cuja angulação varia de 17 e 30. (Fig. 5)
Pilar
UCLA com e sem antirotacional para Implus:
São pilares compostos de uma base pré-usinada em ouro cerâmico, conectada
a um cilindro plástico, o que permite um enceramento da peça que posteriormente
será sobrefundida em ouro amarelo, em prata paládio ou mesmo em ouro cerâmico.
São indicados para próteses parafusadas axiais
ou para próteses cimentadas, onde neste caso o protético encera o cilindro
plástico na angulagem exigida pelo caso, realizando a sobrefundição à base
já usinada, sobrepondo-se a esta sub-estrutura metálica a peça protética que
será cimentada; unitárias ou múltiplas em função que será cimentada; unitárias
ou múltiplas em função da presença ou não do hexágono antirotacional. (Figs.
6 e 7)

Fig.1
Fig. 2
Fig. 3

Fig. 4
Fig. 5
Fig. 6

Fig. 7
Conclusão
.
É de suma importância que nos utilizemos de implantes e componentes
protéticos de última geração, em favorecimento da estética e da função. Estes
pilares por si só não oferecem a estética. Neste caso, a habilidade do profissional
no manuseio de tecidos moles com o auxílio da própria provisória, com a formação
do arco gengival côncavo e da papila interimplantar assumem uma posição estético
importante na reabilitação oral com implantes, posto que os dentes naturais
apresentam diferentes formas nas suas porções cervicais, difíceis de serem conseguidas
somente com os cicatrizadores.
Bibliografia