Princípios de Oclusão aplicados a Implantodontia
Eduardo
José de Moraes *
Fernando Xavier de Assis **
RESUMO:
Os autores apresentam princípios de oclusão aplicados aos
implantes dentários e alguns aspectos biomecânicos aplicados às próteses sobre-implantes
ABSTRACT:
The authors present the principIes of occlusion applied
in dental implants and some biomechanical aspects in implats prosthesis.
Palavras Chaves:
Oclusão - Prótese - Implantes - Biomecânica
Key-words:
Occlusion - Implants - Prosthesis - Biomechanical
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A oclusão é crítica para a longevidade do implante devido
à natureza da inserção do osso à superfície de titânio do implante. Na dentição
natural, o ligamento periodontal tem a capacidade de absorver o stress ou permitir
a movimentação dentária, mas a interface osso-implante aparentemente não tem
capacidade de permitir movimentação do implante. Qualquer stress oriundo da
oclusão é totalmente suportado pela interface se a força excede a capacidade
da interface de absorver o stress, fracassa o implante.
Foi demonstrado que as forças oclusais exercidas pela
prótese sobre-implante e pelos dentes naturais são similares, e que a discriminação
das forças oclusais entre pacientes dentados e desdentados é similar mas a capacidade
da interface osso-implante de resistir as taxas específicas de stress oclusal,
especialmente durante a carga progressiva, não está completamente esclarecido.
A incapacidade de absorver choques na interface osso-implante
pode criar problemas para as próteses. Os parafusos que mantém muitos tipos
de próteses sobre-implantes ou nas próprias supra-estruturas podem ser sobrestressados
e chegam a fraturar se a carga for imprópria. Se a prótese é cimentada
à fixação implantada, o stress causado pelo contato deflectivo pode criar forças
de cunha no agente cimentante e daí o fracasso do cimento.
Em implantes que têm um absorvedor de choques interno, o minúsculo stress oclusal
excessivo pode causar a fratura do absorvedor .
Uma prátese bem planejada e bem equilibrada, sob o ponto
de vista oclusal, é crucial para o sucesso de uma reabilitação utilizando implantes
dentários.
BIOMECÂNICA DO SISTEMA MASTIGATÓRIO
A Mastigação ...
A mastigação é definida como o ato de mastigar alimentos.
Ela representa o estágio inicial da digestão, quando o alimento é dividido em
pequenos pedaços para facilitar a deglutição. Para isso utiliza músculos, dentes,
estruturas periodontais, lábios, língua, palato e glândulas salivares. É uma
atividade funcional que é automática e praticamente involuntária, porém pode
ser controlada voluntariamente se assim desejarmos.
Cada abertura e fechamento da mandíbula representam
um movimento da mastigação. Na fase de abertura, ela desce da posição de intercuspidação
a um ponto em que as bordas incisais dos dentes estão entre 16 e 18mm umas das
outras. Então ela se movimenta lateralmente de 5 a 6 mm da linha média quando
o movimento de fechamento se inicia.
A primeira fase do fechamento segura a comida entre
os dentes, e é chamada de fase de amassamento. Quando os dentes se aproximam
uns dos outros, o deslocamento lateral é diminuído para movimentos laterais
de 3 a 4 mm em relação a linha média. Neste ponto os dentes inferiores estão
posicionados de forma que as cuspides vestibulares estão quase que diretamente
abaixo das cúspides vestibulares dos dentes superiores, no lado para o qual
a mandíbula se deslocou.
Conforme a mandíbula continua a fechar inicia-se a fase
de trituração do movimento mastigatário. Durante a trituração a mandíbula
é dirigida pelas superfícies oclusais dos dentes, que segundo estudos anteriores
não : se tocam durante a mastigação. Outros estudos no entanto, afirmam que
há contato dos dentes durante a mastigação.
Deglutição
A deglutição é uma série de contrações musculares
coordenadas que move o bolo alimentar da cavidade oral através do esôfago até
o estômago. Durante a deglutição os lábios se fecham, selando a cavidade oral,
e os dentes são levados até a sua posição de máxima intercuspidação estabilizando
a mandíbula.
No adulto normal a deglutição estabiliza a mandíbuIa
através dos contatos dentais. O contato médio entre os dentes durante a deglutição
normal dura 683 mseg. A força aplicada aos dentes durante a deglutição é de
aproximadamente 30,2 Kg, 3,5 mais que a força feita na mastigação.
Pesquisas provaram que o ciclo de deglutição ocorre 590 vezes durante o período de 24 horas, 146 ciclos durante a alimentação, 394 entre as refeições enquanto acordado e 50 ciclos durante o sono.
FATORES DE FORÇA EM IMPLANTODONTIA
Alguns fatores devem ser observados durante a
avaliação pré-operatória, os quais podem originar forças adicionais nos implantes,
através da oclusão da prótese implanto-suportada quando colocada em função.
A interface osso-implante e a estabilidade
da prótese são afetadas por essas forças adicionais. Este acréscimo de forças
deve ser considerado no plano de tratamento e no desenho da prótese final. Os
principais fatores de força que devem ser considerados são:
METAS OCLUSAIS
PARA PRÓTESES SOBRE-IMPLANTES
Devido às condições especiais únicas dos implantes,
é importante desenvolver uma oclusão que ofereça mínimo stress tanto sobre a
interface osso-implante como sobre a prótese.
As metas oclusais mínimas para próteses sobre implantes são:
Nenhuma prematuridade em Relação Cêntrica (RC)
Movimentos excursivos laterais suaves e uniformes, sem interferências em balanceio
O
padrão de uma oclusão ideal, é o fator mais importante na construção da oclusão
e é de particular importância para próteses sobre implantes. Além do potencial
para a disfunção neuro-muscular que os contatos prematuros podem criar, a força
oclusal é aumentada quando um contato alto ou prematuro está presente.
A liberdade da posição de contato retruído (RC) para
a posição intercuspídea (PI), foi muito defendida por Dawson devido ao
fato do contato em RC ocorrer durante certas funções. Entretanto, pode ser necessário
criar uma oclusão livre de prematuridades em PI.
Os contatos deflectivos em PI podem ser responsáveis,
frequentemente, pelo desenvolvimento de forças excessivas. Gibbs e Cols relataram
que as maiores forças durante a mastigação são mais baixas com os fatores de
guias anteriores, como por exemplo, guia canina ao invés de guia posterior.
Desta forma, criando guias anteriores e caninas sempre que possível, pode-se
minimizar as forças potencialmente destrutivas.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A OCLUSÃO DE PRÓTESES IMPLANTO-SUPORTADAS
Eliminação de contatos laterais posteriores durante as excursões mandibulares
As forças verticais devem ser direcionadas ao longo eixo do implante
A desoclusão dos elementos posteriores deve ser conseguida preferencialmente com guias anteriores Canina (Iateralidade) e Incisal (Protrusiva ).
Os contatos em balanceio são aceitáveis quando a antagonista é uma prótese (total)
A mesa oclusal deve ser reduzida no sentido buco-lingual ou buco-palatino
A anatomia oclusal deve limitar a altura das cuspides, tornando-as rasas a fim de se diminuir as componentes horizontais.
Quando os implantes são usados como pilares adjuntos, e o stress da oclusão é tolerado pela dentição natural remanescente, os elementos de desoclusão lateral devem ser colocados sobre os dentes naturais.
O número de contatos oclusais deve ser reduzido
Para se dissipar as forças excursivas na região anterior da maxila, quando os implantes têm dentes naturais como antagonistas, devemos posicioná-los na região de canino e lateral, ou canino e central ou canino e 1º pré-molar (nesta ordem de preferência).
A região de pilar canino é importante para o posicionamento de implantes na ausência dos elementos anteriores.
Na impossibilidade de se utilizar a região de canino como área de implantação, sugere-se a colocação de no mínimo três implantes para suportar os movimentos excursivos da mandíbula.
Pesquisas recentes demonstram que o comprimento ideal do implante dentário capaz de suportar cargas axiais é de 12 mm. (Principalmente em casos de implantação unitária)
Quando são usados pônticos em catilevers, o comprimento não deve ser maior que 15 mm. Comprimentos mais curtos minimizarão o torque na maioria dos pilares implantados posteriores. (Axel Kirsch)
Se uma prótese parcial fixa necessita ser suportada por uma combinação de implantes osseointegrados e dentes, pode-se obter uma distribuição mais uniforme da carga oclusal utilizando uma conexão flexível da prótese com o cilindro implantado. De outra forma, existe o inconveniente de concentrar-se no implante, que é mais rígido que o dente natural.
Os implantes devem ser colocados em função de maneira progressiva por um período de 2 a 5 meses. A fim de que possa se obter uma interface osso-implante com relativa densidade óssea.
A resina acrílica é o material indicado para revestir as próteses sobre-implantes no período de carga progressiva.
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*
Professor Assistente do IBI, especialista em Cirurgia Buco Maxilo Facial
** Professor Assistente do IBO, especialista em Prótese Dentária