Ossoliofilizado
Critérios para escolha com segurança
Eliane
Porto Barboza*
José Henrique Cavalcanti Lima**
Resumo:
No presente trabalho os autores comentam a necessidade
de utilizar enxerto de osso alógeno de bancos de tecidos credenciados na Associação
Americana de Bancos e Tecidos, como mais um adjunto na biosegurança.
Abstract:
In this paper, the authors report the necessity of utilizing
bone allograft purchased from an acredited Tissue Bank which fullfils the American
regulation of biosecurity.
Palavras Chaves:
Enxerto ósseo alógeno -Osso liofilizado -Biosegurança
Key Words:
Bone allograft -Demineralized freeze-dried bone allograft-
Biosecurity.
Os
trabalhos clínicos e experimentais de OLLIER, em 1867, deram início a inúmeras
investigações em transplantes ósseos neste último século. Nos EUA estima-se
que mais de 40000 pessoas recebem enxertos de osso alógeno a cada ano com finalidade
de uso odontológico (BUCK et al.,1990). Nos últimos dez anos, o osso humano
desmineralizado e liofilizado (OHDL) tem sido um dos mais utilizados.
A possibilidade de transferência de agentes infecciosos
via enxerto alógeno é desprezilvel se o material é colhido e processado de acordo
com protocolos de bancos de tecidos credenciados na Associação Americana de
Bancos e Tecidos (FRIEDLANDER, 1989). Tais protocolos incluem teste sorológicos
do doador como H IV, hepatite, sifilis e doenças sistemicas. BUCK e colaboradores
(1989) enfatizaram que, para minimizar os riscos de contaminação, é necessário
a utilização de técnicas de exclusão tais como levantamento médico e social,
teste de anticrorpos, teste de antigeno direto, outros testes sorológicos, cultura
bacteriana, autópsia e estudos de acompanhamentos dos enxertos do mesmo doador.
Esses autores estimaram que a chance de obter osso alógeno de um doador infectado
por H IV, o qual não fora excluído pelas técnicas supracitadas, é calculada
em 1 para 1,67 milhões. No entanto, os mesmos autores concluíram que se somente
uma técnica de exclusão for utilizada, o risco dever ser de 1 para 161. Em 1990,
BUCK e colaboradores relataram que simplesmente utilizando a técnica de congelamento
do enxerto ósseo alógeno, o risco seria reduzido de 1 para 8 milhões.
A mais recente contribuição a respeito de contaminação
de osso desmineralizado e liofizado foi feita por MELLONIG e colaboradores em
1992. Este estudo demonstrou que osso cortical em particulas utilizando como
enxerto alógeno, "exposto ao H IV ou já infectado por ele, apresentava-se
livre do vírus depois de passar pelo processo de desmineralização, congelamento
e secagem". Os autores também sugeriram que métodos de esterilização secundarios,
como irradiação ou óxido de etileno, são desnecessários.
Reforçando a necessidade de cuidados especiais com materiais
enxertáveis, nos EUA., a Food and Drug Administration criou normas que estabelecem
os padrões para seleção e teste de manutenção dos dados de arquivos dos bancos
de tecidos fornecedores de enxertos alógenos. Desta forma, a food and drug Administration
supervisiona a Associação de Bancos de Tecidos que supervisiona os Bancos de
tecidos nela credenciados.
Finalizando, os autores comentam que, em desconhecendo bancos
de ossos humanos em outros paises, o OHDL utilizado em odontologia deve proceder
somente de bancos credenciados pela Associação Americana de bancos de tecidos.
Tais bancos devem respeitar os seguintes critérios:
Utilização das técnicas de exclusão pelo banco de tecidos (BUCK ET AL, 1989), que devem incluir :
teste de anticorpo de H IV com ELISA e/ou western blot;
sonda DNA para vírus H IV;
autópsia para descartar doenças ocultas;
testes para contaminação bacteriana;
teste para sífilis;
estudos especiais de linfonodos; (AAP , 1994).
Uso de agente viricida como etanol 70%. O etanol penetra completamente no osso cortical, medindo até 5,5 cm por 2,5 cm, por tempo de 15 ( quinze) minutos (PREWETT et al., 1991).
Congelamento do osso. O congelamento diminui o risco de transferência da doença (DUCK et al., 1990) e aumenta a incorporação do enxerto alógeno (GOLBERG & STEVENSON,1989).
Desmineralização do osso. A utilização do ácido hidroclorídrico para desmineralização do osso também inativa o vírus H IV (MELLONIG et al.,1992).
Liofilização do osso. Este procedimento pode resultar na redução do potencial do vírus H IV (QUINNAN, 1986) e da antigenicidade, assim como permitir maior tempo de armazenamento (TUNER & MELLONIG, 1981 e QUATILAUM et al.,1988).
Concluindo, os autores enfatizam a necessidade e o cuidado
de utilizar o OHDL de bancos credenciados que utilizem todos os critérios de
segurança descritos neste artigo.
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AGRADECIMENTOS
Drs. Itamar Rigueira e Carlos Alberto Brazil por
revisarem o manuscrito.
*Mestra
e Doutora em Periodontia; Profa. da Universidade Federal Fluminense
**Especialista
em Periodontia - Policlínica Militar do Ministério do Exercito