Membrana
Reabsorvível de Osso Liofilizado
Sua utilização na proteção de feixe vásculo-nervoso
Apresentação
de Casos Cirúrgicos
Clóvis MARZOLA * Cláudio
Maldonado PASTORI*** João Lopes TOLEDO FILHO** Daniel Luiz Gaertner ZORZETTO****
UNITERMOS
Membrana,
Osso liofilizado, Indicação, Proteção feixe vásculo-nervoso.
UNITERMS
Membrane,
Lyofilizied bone, Indications, Protection to the vascular nervous bundle.
RESUMO
Os
autores mostram caso cirúrgico de implante de membrana de osso liofilizado,
na proteção de feixe vásculo-nervoso, satisfatoriamente resolvido. Até o momento
encontram-se em andamento 17 casos, desenvolvendo-se pesquisa paralela experimental.
Os casos levados a efeito, mostram haverem sido bem conduzidos e seguidos durante
2 anos, sendo, portanto, introduzida uma nova prática para o emprego da membrana
de osso liofilizado com sucesso, daí a apresentação desse trabalho.
SUMMARY
The
authors show surgical cases of lyofilizied bone membrane implat in the protection
of vascular-nervous feixe satisfatorily solved. At this moment more than 17
cases are in the process besides the experimental researches on lab animals.
Cases shown have been developed for more than 2 years so, we are introduzing
them winder to give a great knowledge to anyone who wants to put them into practice.
INTRODUÇÃO
As
membranas reabsorvíveis têm sido utilizadas de maneira bastante satisfatória
em periodontia, associada ou não a materiais implantares, quer no preenchimento
de falhas cirúrgicas, defeitos ósseos, ou ainda mesmo na proteção da parede
lateral dó seio maxilar, desempenhando-se de modo a não mostrar nenhum sinal
de rejeição 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14,
15, 16,17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 32, 33, 34, 35,
36, 37,38, 39, 40, 41, 42, e, além de outras indicações, como na
proteção de feridas, agindo com um curativo biológico 31.
Diferentes
tipos de membranas têm sido colocados em prática 02, 04, 06, 11, 14, 16,
20, 21, 22, 23, 24, 25, 28, 36, 41, assim é que foi desenvolvida no Departamento
de Bioquímica da Faculdade de Odontologia de Baurú da Universidade de
São Paulo uma Membrana Reabsorvível de osso liofilizado (Dentoflex),
que viesse trazer também, as soluções tão esperadas
para todas aquelas respostas necessárias no decurso de uma cirurgia e,
por ser material com um custo bastante satisfatório para poder ser usado
em pacientes de todas as classes sociais.
Dessa
maneira, verificou-se a possibilidade da utilização dessa membrana
na proteção de feixes vásculos nervosos, quando de suas
exposições em cirurgias dirigidas, como no reposicionamento de
determinados troncos nervosos, bem como em que tivesse ocorrido seu aparecimento
acidental, do mesmo modo que foi utilizada agindo com um curativo biológico
31. O objetivo primordial do presente trabalho é mostrar,
à comunidade odontológica, mais uma aplicação da
membrana reabsorvível, justificando-se sua apresentação,
por ser o primeiro trabalho realizado nesse sentido.
APRESENTAÇÃO
DE CASOS
Esta
técnica cirúrgica já foi realizada em 17 pacientes com
resultado bastante satisfatório, e neste trabalho serão mostrados
dois casos por completo.
Paciente
com mais de 60 anos que necessitava do reposicionamento do nervo mentoniano,
de ambos os lados, em virtude dos mesmos colocarem-se ao nível do rebordo
alveolar já bastante reabsorvido. Em virtude do trauma constante da prótese
nessa região a paciente necessitava de uma nova, e para isso havia a
necessidade da colocação do feixe vásculo-nervoso numa
posição mais inferior 24.
A
primeira cirurgia foi realizada no lado direito da paciente, após exame
clínico (Fig. 1) e radiográfico (Fig 2),
sob anestesia por bloqueio regional dos nervos alveolar inferior, lingual e
bucal. No rebordo alveolar direito (Fig. 1), faz-se uma incisão
linear sobre a crista alveolar residual, sofrendo ligeira curvatura em suas
extremidades (Fig. 3).

O
deslocamento do retalho muco-perióstico, . deve ser bastante cuidadoso, até
a visualização e liberação do forame mentoniano (Fig. 4). O feixe
vásculo-nervoso é delicadamente individualizado, separado e trancionado superiormente
(Fig. 4). Com broca cirurgica troncocônica fissurada, confecciona-se
uma canaleta que alojará o nervo mentoniano, iniciada a partir do forame
mentoniano, sendo dirigida inferior e distalmente (Fig. 5). Assim,
obtém-se um prolongamento inferior do forame mentoniano, com novo orifício de
emergência (Fig. 5). Concluída a osteotomia e regularizadas as
paredes ósseas, a entidade vasculo-nervosa e alojada em sua nova posição,
aí fixando-se, sendo a membrana de osso liofilizado recortada com o tamanho
adequado da região e, colocada em cima do local, protegendo adequadamente o
feixe vásculo-nervoso (Fig. 6).

A
ferida deve ser constantemente irrigada com soro fisiológico e, finalmente,
suturada (Fig. 7). O pós-operatório decorre sem anormalidades,
com administração de antibioticoterapia, antinflamatório e analgésico. Caso
o nervo já apresente parestesia, ou se foi discretamente traumatizado durante
o ato cirúrgico, ocorre uma parestesia temporária, que regredirá progressivamente,
dentro de alguns meses. O mau desempenho da técnica cirúrgica, levará à lesões
nervosas irreversíveis. Após um mês a paciente já apresentava-se com a
região perfeitamente cicatrizada, contudo, ainda com discreta parestesia (Fig.
8). A cirurgia do lado esquerdo dessa mesma paciente foi efetuada após
um mês, podendo-se notar todos os passos da técnica cirúrgica, como o local
da cirurgia (Fig. 8); a incisão (Fig. 9);

O
deslocamente do muco-periósteo destacando-se o nervo mentoniano (Fig.
10 e 11 ); a confecção da canaleta abaixo da inserção do nervo (Fig.
12);

O
rebaixamento do nervo mentoniano (Fig. 13); a proteção com a membrana
reabsorvível (Fig. 14, 15 e 16) e, a sutura final (Fig.
17).


Tivemos
oportunidade de levar a efeito esta técnica cirúrgica em 17 casos em que havia
indicação correta e, em todos eles a proservação foi bastante razoável. Naqueles
casos em que houve parestesia, após de 03 a 05 meses, já ocorria a regressão
completa da mesma.
CONCLUSÃO
Após
o implante desse material para a proteção do feixe vásculo-nervoso mentoniano
em 17 pacientes, com acompanhamento há mais de 2 anos, parece-nos lícito concluir
que trata-se de um excelente material implantar, para este tipo de indicação
técnica, com ótima aceitação pelos pacientes e, que não apresentam nenhum sinal
de eliminação e rejeição, muito menos com relação à estrutura nervosa.
Pode-se
ainda concluir pelas observações da literatura, e, de nossa experiência com
esta manobra cirúrgica que:
É incontestável a vantagem
de retirar-se o forame mentoniano, da área de suporte das próteses inferiores,
reposicionando-o.
A técnica do reposicionamento
é relativamente simples, e o risco cirúrgico é diminuto, permitindo, inclusi-ve,
o aprofundamento do súlco, em muitos casos, aumentando consideravelmente
a área chapeável.
Num tempo relativamente
pouco prolongado (30 a 60 dias), o paciente fica em condições de usar nova
prótese, principalmente com o auxílio do emprego da membrana reabsorvível.
Durante 1 a 3 meses
após a cirurgia, poderá ocorrer parestesia do lábio inferior, devido à manipulação
exagerada do plexo nervoso. Passado este período e, com terapêutica específica,
a sensibilidade da região voltará ao normal.
É indispensável que
o cirurgião domine, perfeitamente, as técnicas cirúrgicas de recuperação
do rebordo alveolar, com referência aos tecidos moles. Isto, pelo fato desta
manobra, possibilitar o correto uso da prótese.
O reposicionamento
do forame mentoniano, quando necessário, é de importância capital, podendo
tornar-se, quando não praticado, o responsável absoluto pelo fracasso da
prótese. A sintomatologia dolorosa, provocada pela compressão do
plexo nervoso é insuportável e, suficiente para determinar uma situação
desesperadora para o paciente.
A utilização da membrana
do osso liofilizado, além de trazer uma facilidade a mais para o cirurgião
na proteção do feixe vásculo-nervoso, ainda possibilita um recurso adicional
ao conforto do paciente.
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- .* Professor Titular
de Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP. Membro Titular Praticante
do Colégio Brasileiro de Cirurgias e Traumatologia BMF e Ex. Presidente. Especialista
em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial. Professor "HONORIS CAUSA"
da UNIGRANRIO. Membro "Life Fellow" da Academia "Pierre Fauchard". "Life Fellow"
da International Association of Oral and Maxillofacial Surgerons. Fellow de
International College of Dentistry. Membro do Gruppo Italiano di Studi Implantari
de Bologna -Itália. Membro Honorário do International Research Committee of
Oral Implantology. Membro Honorário da Academia Mineira de Odontologia. Coordenador
do Curso de Especialização em CTBMF da FUNDEO da FOB-USP.
- ** Professor Associado
de Anatomia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP: Especialista em Cirurgia
e Traumatologia Buco Maxilo Facial. Chefe do Serviço de Cirurgia Buco Maxillo
Facial do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru. Membro Titular
Praticante do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia BMF. Membro da
Academia "Pierre Fauchard". Coordenador do Curso de Especialização em CTBMF
da A.P.C.D. de Bauru.
- *** Mestrado em Cirurgia
da F.O. Araçatuba da UNESP -Campus de Araçatuba. Membro Aspirante do Colégio
Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial. Especialista em
Cirurgias e Traumatologia Buco Maxilo Facial. Professor de Cirurgia dos Cursos
de Especialização em Cirurgia da FUNBEO da FOB-USP, da APCD de Bauru. Professor
de Cirurgia e Traumatologia BMF da F.O. da UNIMAR de Marília. Membro do Corpo
Çlínico do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru. Membro da Academia
"Pierre Fauchard".
- **** Mestrado em Anatomia
do Instituto de Biociências da UNESP -Campus Botucatu. Membro Aspirante do
Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Fa:ial. Especial.ista
em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxillo Facial. Professor de Cirurgia dos
Cursos de Especialização em Cirurgia da FUNBEO da FOB-USP, da
APCD de Baurú. Professor de Cirurgia e Traumatologia BMF da FO da UNIMAR
de Marília. Membro do Corpo Clínico do Hospital de Base da Associação
Hospitalar de Baurú. Membro da Academia "Pierre Fauchard".