Displasia
Osteodentinária
Reabilitação com implantes osseintegrados
Prof.
Dr. Claudio Mendes de Campos*
Dr.
Kerly Duir Guerra * *
Resumo
Os autores relatam dois casos de disostose osseo-dentinária,
nas quais procederam ao tratamento com técnicas não tradicionais, mas sim com
a aplicação de implantes osseoitegrados, com auxílio de enxertos e técnicas
cirúrgicas avançadas, obtendo resultados amplamente satisfatórios.
Unitermos:
Disostose Cleidocranial, Disostose Mutacional, Disostose
Osteodental, Implantes Osseointegrados, Implantes Dentários
Summary
The authors report two cases of osseodental dysostosis, where
the treatment procedures are not traditional, but with osseointegration implants,
and advanced surgical technics using autologus grafts, reabsorved hidroxiapatite
and membranes, by a tecidual guide regeneration, obtaining very good results.
Key Words:
Cleidocranial Dysostosis, Mutational Dysóstosis, Osteodental
Dysostosis, Osseointegration, Dental Implants
RESUMO
Os autores apresentam um caso de displasia osseo-dentinária
em paciente do sexo masculino, 19 anos, que apresentava a retenção dos dentes
decíduos e permanentes, com vários dentes supranumerários, tanto na maxila como
na mandíbula, ao revés das técnicas tradicionais de tratamento como a avulção
dos dentes descíduos e colocação de próteses total superior e inferior, ou até
quando da ausência de rebordo superior, fazer uma fratura Le Fort I, para se
conseguir uma maior estabilidade da prótese total, os autores optaram por extrair
o maior número de dentes possível e aplicar implantes osseointegrados com enxerto
de osso humano + ha reabsorvível. Após 12 meses ativaram os implantes, colocaram
uma prótese fixa metaloplástica, obtendo um resultado amplamente satisfatório.
REVISÃO DA LITERATURA
A Síndrome de disostose cleidocranial, foi descrita
por MARIE & SAINTON (1), em 1898, dentre outros autores KELL Y & NAKAMOTO
(2), como displasia osteodentária, onde não existe a aplasia das clavículas,
ocorrendo apenas alterações dos ossos da maxila e mandíbula; retenção dos dentes
descíduos e permanentes, com a presença de dentes supranumerários. Essa patologia
foi estudada por vários autores, que propuseram vários tipos de tratamento,
como KAHTALIAN e Col. (3), em 1968, que propunham a conservação dos dentes descíduos,
uma vez que a exodontia não faz com que ocorra a erupção dos dentes permanentes.
MAGNOS e Col. (6),1974, realizou em um paciente
de 16 anos, a exodontia de todos os dentes, com exceção dos caninos superiores,
colocando uma prótese parcial removível e na mandíbula prótese total.
KELLY & NAKAMOTO (2), 1974, em paciente com
31 anos, portador da síndrome, removeram todos os dentes descíduos, e fizeram
a enucleação dos cistos dentígenos, optando pela colocação de prótese total
superior e inferior, em outro paciente com 26 anos de idade, preservaram 8 dentes
superiores, e também colocaram uma prótese fixa, e no inferior, uma prótese
parcial removível.
JARVIER (6), 1981, fez a análise cefalométrica
dos três casos de disostese cleidocranial, encontrando uma protusão de maxila,
como também um prognatismo em todos os pacientes.
BISHOP (7), 1984, apresentou um caso de paciente
com 19 anos de idade, onde realizou a exodontia dos dentes descíduos e de alguns
supranumerários, e posteriormente, com tração ortodôntica de alguns dentes remanescentes,
e com o auxílio de tratamento ortodôntico, concluindo com cirurgia ortognática
da maxila Le Fort 1, corrigiu a mordida aberta anterior.
WEINTRAUB & YALISOVE (4), 1978, descreveram
um caso de disostose cleidocraniana em uma paciente do sexo feminino, de 14
anos de idade, e conseguiram poupar alguns dentes, onde colocaram coroas de
ouro,e, posteriormente, próteses parciais removíveis.
Outros autores, como SOULE (8),1946; DAVIS (9),
1954; GAY (10), 1958; FORLARN, (11), 1962; AGGARWALL (12), 1979; FRESOSO, (13),
1980; HERBDA
(14), 1983; KIRSON (19), 1982; TAGLIALAVORO (20), 1983, descreveram inúmeras
características e variações da síndrome, tanto no aspecto bucal como geral.
Dentre nós, recentemente, ROCHA & Col. (15), 1992,
descreveram um caso de paciente do sexo feminino, 13 anos de idade, com dentição
mista em boas condições, e procederam a tratamento cirúrgico e ortodôntico.
SILVA & SILVA, (16), 1994, relatavam um caso de
paciente do sexo feminino, de 24 anos de idade, que apresentou-se como tendo
sido submetida a várias exodontias, e com as colocação de prótese totais superior
e inferior. No entanto, continuava a erupção de dentes, e, após estudo radiográfico,
foram observados vários dentes inclusos supranumerários. Os autores alertaram
da necessidade do diagnóstico precoce da síndrome.
RELATO DO CASO
A Síndrome de Disostose Cleidocranial e suas variantes, são
de caráter hereditário, com graus variados de aplasia clavicular, com faces
e alterações do sistema esquelético bastante heterogêneas.
O
paciente de 19 anos de idade, do sexo masculino, com irmã de 18 anos de idade,
apresentando retenção de todos os dentes descíduos, superiores e inferiores,
com a presença de todos os dentes permanentes, inclusos como também a presença
de supranumerários típicos e amortos Figs. (1,2,3,4).
Em ambos os pacientes optamos por tentar uma técnica
inédita no mundo, para a reabilitação
dos pacientes, fazendo a remoção de todos os dentes possíveis de serem extraídos,
colocação de implantes osseointegrados Intra Lock (17), com auxílio de enxerto
e reparação tecidual guiada, com o osso humano liofilizado, da Musculoskeletal
Transplant Foundation - Osteotech, hidroxiapatita reabsorvível Osteogen, e membranas
de Vicryl também reabsorvível (Fig.5). Após 12 meses foram ativados os implantes
(Fig.6), e construida uma prótese fixa metaloplástica provisória, com resultados
excelentes, desde o ponto de vista estético, como funcional, trabalho este efetuado
há dois anos (Figs. 6, 7 e 8). No entanto, em sua irmã, ainda não conseguimos
obter o mesmo resultado, uma vez que o processo de osseointegração
se faz muito lentamente, bem como as alterações das arcadas hipotróficas também
estão dificultando a conclusão do tratamento.

Fig. 2 Fig.
3

Fig. 4 Fig.
5

Fig. 6 Fig.
7

Fig. 8
DISCUSSÃO
Além
da literatura citada, temos a experiência pessoal em vários pacientes, sendo
que em três deles realizamos a avulsão dos dentes decíduos, e colocamos próteses
totais (1977). No entanto, visto a tecnologia moderna de implantes osseointegrados
e biomateriais, como também as técnicas avançadas de cirurgia aplicadas à implantologia,
decidimos por proceder a uma intervenção inédita que acreditamos que deverá
modificar as condutas até aqui efetuadas. No caso do paciente do sexo masculino,
o resultado foi surpreendente; quando à irmã do mesmo, estamos na fase final
do tratamento.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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* Doutor em Ciências Biomédicas
da Universidade de São Paulo Prof. Titular em Patalogia Bucal pelo CFE Especialista
em Implantodontia CFO
** Cirurgião -Dentista Formado Universidade de Pelotas -RS